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Odebrecht Agroindustrial espera reverter prejuízo na safra 2015/16


Agência Estado - 02 jul 2015 - 09:34 - Última atualização em: 02 jul 2015 - 17:30

A Odebrecht Agroindustrial prevê moer 28 milhões de toneladas de cana-de-açúcar na safra 2015/16. O volume é 18% maior na comparação com 2014/15 e deve ajudar a empresa a reverter o prejuízo de R$ 1,19 bilhão registrado na temporada passada, segundo o presidente da companhia, Luiz de Mendonça. Em entrevista à reportagem, ele afirmou que o investimento no atual ciclo será de R$ 600 milhões (-40%) e que a Operação Lava Jato, que atinge a cúpula do Grupo Odebrecht, não deve afetar o desempenho do braço sucroenergético.

Conforme Mendonça, a Odebrecht Agroindustrial deve produzir quase 2 bilhões de litros de etanol e em torno de 610 mil toneladas de açúcar em 2015/16, aumentos de 22% e de 28%, respectivamente. E é a estratégia em cima dessa fabricação que tende a contribuir com a receita da empresa. "Temos segurado um pouco as vendas de etanol, porque acreditamos que os preços vão se recuperar ao longo da safra", explicou o executivo, em referência ao carregamento de estoques, sem dar números a respeito das reservas.


 O resultado da Odebrecht Agroindustrial em detalhes aqui.


A redução dos investimentos também ajudará a reverter os resultados negativos. "O investimento industrial já acabou, mas o agrícola continua. Em 2015/16 devemos investir em modernização e renovação de equipamentos e nos canaviais, para buscar ganhos de produtividade", destacou Mendonça. Ele informou que, "por um momento", a expansão da unidade de Eldorado, em Rio Brilhante (MS), foi o último investimento industrial da empresa. Foram alocados US$ 300 milhões para a usina aumentar sua capacidade de moagem de 2,1 milhões para 3,5 milhões de toneladas por ciclo.

De acordo com o presidente da Odebrecht Agroindustrial, a empresa também tem um plano de redução de custos de R$ 700 milhões iniciado no ano passado e que deve se estender até o final de 2016. Além disso, a companhia pretende expandir a participação de cana de terceiros em seu processamento para 40% até 2018/19, como noticiado em junho pelo Broadcast, serviço de notícias em tempo real da Agência Estado. A matéria-prima de fornecedores tem custo mais baixo.

Ainda com relação à safra 2015/16, a Odebrecht Agroindustrial estima um aumento de área plantada de 60 mil hectares, bem como um foco especial na renovação dos canaviais. Para tanto, "contamos com o Prorenova, uma linha que sempre acessamos", informou Mendonça, referindo-se à linha de crédito do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para esse tipo de operação agrícola.

Nesta quarta-feira, 01, a Odebrecht Agroindustrial reportou prejuízo consolidado de R$ 1,19 bilhão na safra 2014/15, encerrada em 31 de março. Do valor, R$ 1,14 bilhão são atribuídos à controladora. Segundo o balanço, o maior impacto no prejuízo da companhia veio de despesas financeiras de R$ 1,50 bilhão. A companhia relatou uma receita bruta de R$ 2,79 bilhões em 2014/15 (-6,8%).

"Parece uma safra de retrocesso, mas negociamos R$ 7 bilhões em dívidas e baixamos de 44% para 23% as dívidas de curto prazo. Já nosso caixa cresceu de R$ 560 milhões para R$ 1 bilhão", ponderou Mendonça. "Então entramos na safra 2015/16 bem melhor equacionados."

Lava Jato

O presidente da Odebrecht Agroindustrial comentou também sobre a operação da Polícia Federal que prendeu o presidente do Grupo, Marcelo Odebrecht, no dia 19 de junho. A Lava Jato investiga a ligação de empresas no esquema de corrupção na Petrobras. "A partir do momento em que negociamos R$ 7 bilhões em dívidas, mudamos o perfil delas e não precisamos de linha de crédito nova; não estamos esperando nenhum problema com a Lava Jato", garantiu Mendonça. Conforme ele, a segregação de negócios dentro do Grupo ajuda. Por fim, afirmou que a relação com fornecedores de cana não foi afetada pela operação.

A Odebrecht Agroindustrial possui nove unidades operacionais em São Paulo, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Goiás. Juntas, elas têm capacidade de moagem de 36,8 milhões de toneladas por safra.

José Roberto Gomes


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