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Odebrecht Agro analisa desempenho e aposta em “expansão mais seletiva”

Documento apresenta as estratégias da empresa para o negócio de açúcar e etanol e faz projeções para a safra atual


novaCana.com - 05 nov 2014 - 13:00

odb agro destilariaA Odebrecht Agroindustrial, braço sucroalcooleiro da Organizações Odebrecht, mudou o foco de sua estratégia empresarial.

No relatório da safra 2013/14, divulgado na semana passada, a gigante do setor diz ter mudado o foco, antes centrado em expansão, para aumento da produtividade.

O objetivo da mudança é promover uma “expansão mais seletiva”, atrelada a “fatores de competitividade e não de volumetria”, disse a empresa.

Como resultado desta “desaceleração seletiva do ritmo da expansão”, a Odebrecht avalia, por exemplo, a postergação de ampliações industriais em unidades como a Usina Eldorado.

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Mas este é apenas um dos “rumos” que a empresa resolveu adotar já na safra 2013/14.

O documento também mostra a visão da empresa para os próximos anos, e as apostas da sucroenergética em negócios complementares.

Diversificação dos negócios

Com uma dívida bilionária e um volume de contas no curto prazo superior à suas receitas, a Odebrecht Agro aposta na diversificação dos negócios.

Algumas destas apostas já são conhecidas, como a construção de uma usina de açúcar e etanol na Angola, mesmo com o mercado local não apresentando condições favoráveis à produção do adoçante, já que a África sofre com o excesso de oferta de açúcar e importações baratas, fatores que têm forçado muitas empresas a reduzir a produção, suspender novos projetos e fechar usinas.

Outras, no entanto, são novidade. A Odebrecht, que neste ano sinalizou um interesse no agronegócio com a produção de frango em Angola, disse que considera “a possibilidade de consultoria na área de gestão agrícola”.

Além disso, a gigante do setor está analisando projetos em “países-alvo”, especialmente na América Latina, onde o conglomerado tem uma atuação forte.

“Durante a safra 2013- 2014, houve avanços nas avaliações em relação à Colômbia, ao Peru e aos Estados Unidos, mas ainda em fase
de refinamento de análises de riscos e retorno financeiro”, afirmou.

“O objetivo é possuir ativos preferencialmente em países que apresentem mercado interno com potencial de crescimento e tenham políticas de fomento ao setor de biocombustíveis, com regras definidas em questões relacionadas a preço”, contextualiza o relatório.

Em relação à Biocom, joint venture firmada com a estatal angolana Sonangol, a empresa disse que “houve avanços significativos na expansão da área de cultivo de cana, bem como na implantação do parque industrial. Também teve inicio um trabalho de desenvolvimento de mercado para fomentar o setor de biocombustíveis, a fim de absorver a produção de etanol”.

Aumento da dívida líquida

A continuidade dos investimentos em plantio (expansão e renovação dos canaviais) e nos novos ativos industriais pesou sobre a dívida líquida da Odebrecht Agro, que na safra 2013/14 totalizou R$ 11,3 bilhões, alta de 13% ante o período anterior.

A empresa explicou ainda que o efeito da variação cambial sobre o endividamento em moeda estrangeira também influenciou suas contas e chegou a representar cerca de 10% do total da dívida.

Produção

Embora não tenha alcançado boa parte das metas previstas para a safra 2013/14, a companhia registrou um crescimento na produção de etanol e açúcar na comparação com o ciclo anterior.

O gráfico abaixo mostra a evolução da produção de açúcar, etanol e cogeração de suas unidades nas safras 2012/13 e 2013/14.

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Queda de produtividade

A geada ocorrida na safra 2013/14 no Mato Grosso do Sul e em parte do estado de São Paulo comprometeu o principal objetivo da Odebrecht, que é o aumento de produtividade em detrimento da expansão dos canaviais.

Algumas áreas de cana precisaram ser colhidas com meses de antecedência, outras foram queimadas pelo gelo, além de canaviais que tiveram que ser roçados. “Esse cenário levou à queda dos indicadores de produtividade”, afirmou.
Em termos de moagem, foram comprometidos 1,2 milhão de toneladas de cana.

O TCH – índice que mede a tonelada de cana colhida por hectare – ficou aquém do esperado, chegando a 63 tc/ha, ante uma previsão de 68 tc/ha.

Já o valor de açúcar total recuperável (ATR) com cana própria ficou em 133 kg/tc, 5 kg/tc a menos que o previsto para a safra.

Em relação ao custo por tonelada de cana com corte, carregamento e transporte, o resultado da safra foi de R$ 38, valor superior aos R$ 32 previstos para a safra. Em 2012/13, este valor foi de R$ 35.

Venda dos ativos de cogeração

No relatório, a Odebrecht também defendeu a venda dos ativos de cogeração à Odebrecht Energia Renovável (OER).

“A transação não nos tira do negócio, pois somos fornecedores de biomassa para a cogeração e também contratados da OER para fazer a manutenção e a operação desses ativos. A comercialização do volume excedente, no entanto, estará
a cargo da OER, que já é detentora de grande know-how nesse segmento e que possui investimentos também em energia eólica e hídrica”, justificou.

Mesmo não tendo alcançado a meta de cogeração estabelecida para a safra 2013/14, a empresa conseguiu produzir 2,3 mil GWh de energia limpa no período, volume 57% superior ao resultado do ciclo anterior, mas 11,5% menor que o esperado para 2013/14.

Logística

Na safra 2013/14, a Odebrecht precisou centralizar seus esforços no melhor aproveitamento dos modais logísticos, o que aumentou a complexidade do negócio.

Pela primeira vez na história da empresa, foram feitas operações utilizando três modais, o rodoviário, ferroviário e duto, para atender a um cliente. A distância entre as unidades, especialmente aquelas que estão localizadas nas regiões de expansão, exigem a utilização de diferentes meios de transporte.

Desde 2012, a empresa embarca etanol aos Estados Unidos. O produto é transportado por rodovia até Santos (SP) ou por ferrovia até Paranaguá (PR). Já o transporte do açúcar envolve uma operação mais complexa. Ela ocorre através de uma operação multimodal (rodoviária e ferroviária) de Paranaguá para a Ásia, Oriente Médio e Europa, e 10% por rodovia, para o Uruguai.

Isso tudo ajuda a explicar o porquê de a companhia apostar no etanolduto como forma de reduzir seus custos logísticos.

“Na maturidade da operação, a estimativa é destinar para logística em torno de
R$ 300 milhões por safra. Com o sistema, os custos devem ser reduzidos consideravelmente, o que é fundamental para um negócio de commodity. A Odebrecht Agroindustrial deverá expedir aproximadamente 1 bilhão de litros pela Logum”, informou.

A implantação do sistema está prevista para 2016 e permitirá que 100% das unidades da Odebrecht sejam atendidas, o que viabilizará o escoamento de grande parte de seu etanol.

Exportações

No mercado de exportação, a Odebrecht visualiza diferentes possibilidades. Uma delas é a venda externa do produto a outros países, além dos Estados Unidos. Neste sentido, a empresa busca “avaliar mercados mais rentáveis para exportações a partir do Brasil”.

Dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) mostram que a Odebrecht Agro aumentou o número de mercados para o qual exporta o combustível de cana de 22 em 2012 para 33 em 2013, uma alta de 50%.

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(A planilha com os dados do perfil de exportações da Odebrecht e de outras empresas está disponível aqui.)

A companhia preferiu não fazer previsões sobre o mercado global de exportações e disse ser “difícil” avaliar o cenário para a atual safra em função de problemas climáticos, como a seca no Brasil e nevascas excessivas nos Estados Unidos. Porém, a expectativa é que “o comércio de etanol entre o Brasil e os Estados Unidos, exportação/importação em ambos os fluxos, seguirá crescendo”.

Outra aposta é a exportação de etanol ao mercado da Califórnia, que tradicionalmente é um dos mais lucrativos para as usinas brasileiras.

Mesmo com a sinalização recente do Conselho de Qualidade do Ar da Califórnia (Carb) de criar condições para equiparar o etanol de milho americano aos mesmos níveis de baixa emissão de CO2, vantagem que, até então, era uma prerrogativa exclusiva do biocombustível brasileiro, a Odebrecht Agro quer aumentar o número de usinas cadastradas junto ao conselho.

Em 2013/14, as usinas Alcídia (SP), Conquista do Pontal (SP) e Alto Taquari (MT) conquistaram a certificação da entidade californiana. E para a safra atual, a empresa pretende cerficar outras duas unidades: Santa Luzia (MS) e Rio Claro (GO).

Inovação e tecnologia

A Odebrecht Agro investiu cerca de R$ 17 milhões em tecnologias agrícolas, como computadores de bordo, presentes em 100% das colhedoras de corte, carregamento e transporte (CCT), 100% da frota utilizado no transporte da cana e em 50% da frota de apoio.

Segundo a empresa, só esta iniciativa trouxe ganhos líquidos de R$ 18,3 milhões em virtude, principalmente, “do aumento de produtividade dos equipamentos objetos da automação e economia de combustível”.

Também foram adquiridos 12 colhedoras de duas linhas. Para a safra atual, está prevista a entrada em operação de outros 13 equipamentos, o que deverá gerar uma redução de custos de aproximadamente R$ 8 milhões.

Ainda com o foco na produtividade, a empresa deu início ao trabalho de preparo profundo de solo ou canteirização, processo que ocorre “somente nos espaços/linhas destinadas ao plantio da cana que serão cultivados na safra”.

Os primeiros testes foram feitos na safra 2013/14, mas espera-se um ganho de produtividade agrícola de 8%. “Também foram adquiridas dez plantadoras de uma linha e iniciados os testes com uma plantadora de três linhas”, informou a empresa.

Safra 2014/15

Para a safra atual, a Odebrecht planeja elevar em 19% o processamento de cana, chegando a 26,8 milhões de toneladas.

Com isso, serão produzidos 1,9 bilhão de litros de etanol, 658 mil toneladas de açúcar e biomassa o suficiente para gerar 1,9 mil GWh de energia elétrica exportável.


“Do ponto de vista comercial, as perspectivas de preços de açúcar são mais favoráveis do que os alcançados na safra 2013-2014, devido a um equilíbrio maior na oferta/demanda mundial. No etanol, a redução da oferta decorrente da seca no Brasil deve garantir preços médios melhores. Todavia, em ambos os casos, os preços seguem depreciados em relação ao potencial”, considerou.

Para saber as metas da empresa para os próximos três a cinco anos, bem como comparar os alvos estabelecidos em 2013/14 e os resultados alcançados no período, clique aqui.

Leonardo Siqueira – novaCana.com


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