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MPE negocia com Coagro aluguel da unidade fabril da Usina Sapucaia


Valor Econômico - 02 jan 2013 - 10:18 - Última atualização em: 29 nov -1 - 20:53

Ainda dependendo da homologação final pela Justiça sobre o resultado da assembleia de credores realizada no final de novembro que aceitou sua proposta para assumir o controle da Usina Sapucaia, a maior de Campos dos Goytacazes, norte do Rio de Janeiro (com capacidade de moer 1,6 milhão de toneladas de cana por ano), o grupo fluminense MPE negocia com outra empresa do município, a Coagro, o aluguel da unidade fabril da usina.

Quanto aos 11,5 mil hectares de área para o plantio de cana que também fazem parte dos ativos da usina (arrendados por 30 anos), a ideia, segundo Renato Abreu, presidente do grupo MPE, é realocar para tradicionais plantadores de cana da região.A Sapucaia, em recuperação judicial e parada desde 2010, foi objeto de uma longa disputa judicial até o desfecho, ainda sub judice, favorável à MPE. No final de novembro, o grupo que tem negócios em vários setores da economia do Rio de Janeiro, especialmente no metalúrgico, foi o único a depositar os R$ 13 milhões fixados pela Justiça como condição essencial para disputar na assembleia a escolha dos credores.

Segundo Abreu, se houver a aprovação final, vão ser necessários investimentos de R$ 70 milhões para reativar a fábrica da Sapucaia, além do pagamento de aproximadamente R$ 100 milhões aos credores e de cerca de R$ 130 milhões pelo arrendamento das terras por 30 anos.

Quanto aos débitos fiscais, Abreu disse que eles ficarão com a velha Sapucaia, que será separada da nova empresa que irá retomar as operações.

A Coagro é uma cooperativa que opera a Usina São José, uma das três que ainda moem cana na região de Campos dos Goytacazes, de um total de 18 que existiam no final da década de 1980. Além dela estão operando a Usina Paraíso e uma destilaria de etanol do grupo Canabrava.

O grupo vinha disputando o controle da Sapucaia com a MPE, mas não fez o depósito para entrar na última assembleia de credores. O depósito tinha o objetivo de assegurar o pagamento das dívidas da Sapucaia com seus cerca de 900 empregados. Além da destilaria de etanol, o grupo Canabrava iniciou em setembro a construção de uma nova usina em Quissamã, município vizinho a Campos, e também assumiu o controle da Santa Cruz, outra usina parada da região.

Já o grupo MPE é dono da Usina Pureza, em São Fidélis, também no norte fluminense, outra que está parada há mais de dois anos. Com capacidade para moer apenas 300 mil toneladas de cana por safra e cercada de morros (terras impróprias para a cultura mecanizada da cana), a unidade está sendo transformada em museu-escola pelo grupo controlador.

Chico Santos