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Ministério diz que usina do MS deve R$ 1 bi para bancos, trabalhadores e fisco


Estado MS - 14 jun 2013 - 08:46 - Última atualização em: 29 nov -1 - 20:53

O Ministério Público do Trabalho estima que a usina CBAA/Agrisul, com sede em Sidrolândia (MS), do usineiro José Pessoa, possui uma dívida em torno de R$ 1 bilhão com bancos, fisco, fornecedores e encargos trabalhistas. A informação é do procurador do trabalho Paulo Douglas Almeida de Moraes, que foi hoje ao encontro dos trabalhadores da usina que vieram a Campo Grande para uma manifestação pública pelas principais vias comerciais da cidade.

O procurador conversou com os trabalhadores e falou do esforço do Ministério de fazer com que o empresário cumpra os acordos firmados em anos de problemas com os funcionários. José Pessoa vem promovendo o calote nos direitos trabalhistas desde 2006. De acordo com o procurador, a partir desse período ele deixou de recolher FGTS e vem sonegando também outros direitos trabalhistas e sempre atrasando salários.

Na manhã de hoje, 150 dos 230 trabalhadores da usina vieram para Campo Grande para uma passeata pela área central, apoiados pelo Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Fabricação de Açúcar e Álcool de Rio Brilhante – STIAA/RB e pela Federação dos Trabalhadores nas Indústrias de Mato Grosso do Sul – FTI/MS.

Portando faixas alusivas aos 150 dias sem receber salário e com duras críticas ao empresário José Pessoa, eles se concentraram na Praça do Rádio Clube, de onde saíram em passeata pela Avenida Afonso Pena, em direção à Rua 14 de Julho (coração do comércio da Capital), subindo até a Rua Barão do Rio Branco e retornando à Praça do Rádio. Todo percurso foi de 8 quarteirões.

"Nós resolvemos vir para Campo Grande para pedir socorro para as autoridades de Mato Grosso do Sul e da opinião pública do Estado, para que nos ajudem a resolver esse problema que atravessamos há mais de 8 anos, quando José Pessoa resolveu dar calote nos trabalhadores", justificou Oviedo dos Santos, presidente do STIAA/RB.

O líder sindical informou que a usina acabou fazendo uma manobra hoje pela manhã para impedir a vinda maciça de seus 230 funcionários. Ele contou também que muitos trabalhadores, demitidos há anos, estão também sem receber seus direitos trabalhistas até hoje. Muitos deles abandonaram o município e estão em outras regiões trabalhando com a esperança de um dia serem restituídos por intermédio de rescisão contratual de trabalho.

Durante a passeata os manifestantes entoaram palavra de ondem dizendo: "Queremos receber! José Pessoa é caloteiro!" numa tentativa de mostrar quem o usineiro realmente é, já que, segundo os próprios trabalhadores, ele (Pessoa) sempre aparece na mídia como empresário de sucesso em Mato Grosso do Sul e está sempre acompanhado de políticos e autoridades do Estado.

Há alguns anos, quando o Ministério Público do Trabalho foi acionado para apurar as irregularidades trabalhistas da CBAA/Agrisul, como resultado das negociações, os trabalhadores na época, mais de 700, se dividiram em três grupos: O primeiro é esse de 230 pessoas que resolveram continuar na empresa na esperança de que as coisas voltassem ao normal; Outros preferiram fazer um acordo para deixar a empresa e receber a rescisão contratual em duas parcelas em 2013 e 14 e outro preferiu sair, mas entrar entrar na justiça para reaver todos os direitos de uma só vez. Nenhum deles obteve êxito ainda.

OBJETIVO DOS TRABALHADORES – Os manifestantes deixaram claro para a opinião pública, através dos microfones e de entrevistas à imprensa, que querem a saída permanente do grupo CBAA/Agrisul de Sidrolândia, e que a usina seja adquirida por outro grupo empresarial sério que possa tocar os negócios e honrar os compromissos com os trabalhadores e com o Estado.

"Não queremos mais José Pessoa ou qualquer membro desse grupo à frente da usina. Precisamos que a justiça ajude nesse processo e que novos investidores venham para cá tocar os negócios que dão lucro sim", afirma Oviedo dos Santos. Ele lembra que Depois que o grupo assumiu a usina, em 1996, o faturamento bruto mensal girava em torno de 20 milhões/mês, com a produção de açúcar e álcool. A estimativa era de que somente R$ 5 milhões eram suficientes para cobrir as despesas de produção e pagamento de funcionários. "O resto era tudo lucro", afirma Oviedo, respaldado por dezenas de trabalhadores da empresa que conhecem bem essa parte contábil e confirmam os números.

CATÁSTROFE – A CBAA/Agrisul, do usineiro José Pessoa, que preside o Sindicato das Usinas de Álcool de Mato Grosso do Sul, provocou o caos na economia do município de Sidrolândia e no distrito de Quebra Coco, onde dezenas de comerciantes faliram e a população empobreceu sem os recursos de salários em circulação regularmente.

Os trabalhadores informam que a situação é ainda mais crítica nos 6 assentamentos da cidade: Santa Monica, Paraíso, Patagonia, Campo Verde, Canaã e Nova Querência, de onde provem grande parte da mão de obra para a usina. "A situação é crítica e esse quadro lamentável não pode mais perdurar", apelam os trabalhadores que têm o apoio da Força Sindical Regional Mato Grosso do Sul.

Idelmar da Mota Lima, presidente da central, também apela às autoridades de Mato Grosso do Sul para que se esforcem para dar uma solução definitiva para o problema enfrentado não só pelos trabalhadores, como também toda sociedade de Sidrolândia, Quebra Coco e dos assentamentos, que precisam que esse complexo industrial funcione de maneira correta para gerar emprego e renda para todos e não apenas para um grupo empresarial.

Wilson Aquino

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