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Usinas

Mais da metade das usinas em recuperação judicial estão inativas


Folha de S. Paulo - 01 set 2014 - 07:56
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Usina da companhia Albertina, usina de açúcar e álcool de Sertãozinho, que está paralisada

Mais da metade das usinas de açúcar e etanol que pediram recuperação judicial no país desde 2008, ano do início da crise internacional, está inativa.

Estudo da consultoria MBF Agribusiness, de Sertãozinho (a 333 km de São Paulo), aponta que a dívida das usinas chega a R$ 13 bilhões. Das 67 empresas do setor no país que entraram em recuperação nos últimos seis anos, 40 não produzem.

Muitas não conseguem se recuperar por causa da crise, a mais severa da história, que atinge as unidades que atuam na produção de etanol, açúcar e energia elétrica.

Só neste ano entraram em recuperação judicial sete usinas, de pequeno, médio e grande portes –duas do grupo Carolo, quatro da Aralco e uma da Andadre.

O diretor da MBF, Marcos Françóia, disse que a recuperação é uma alternativa para que as usinas mantenham a produção, o emprego dos trabalhadores e a capacidade de quitar dívidas com credores.

Segundo Françóia, a maioria não manteve as atividades porque não conseguiu honrar os pagamentos.

"Essas, que entraram em recuperação e fecharam, acabaram tendo sua produção inviável. Isso não quer dizer que esse processo [de recuperação judicial] seja um insucesso. Se o mercado tivesse reagido depois de 2008, a situação seria melhor", disse.

O diretor-técnico da Unica (União da Indústria de Cana-de-Açúcar), Antonio de Padua Rodrigues, afirmou que muitas vezes a recuperação é um "caminho sem volta", mas que muitas usinas acabam se salvando porque os credores viram acionistas.

Marcos Fava Neves, docente da FEA-RP (Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade de Ribeirão Preto), da USP, afirmou que a previsão é de que mais empresas entrem em recuperação neste e no próximo ano.

Você tem cerca de 15% do setor em recuperação. Significa que alguma coisa está errada."

"Você tem cerca de 15% do setor em recuperação. Significa que alguma coisa está errada. Se não houver um reajuste no preço da gasolina, se o governo não olhar para esse setor, vai aumentar o número do processos no ano que vem", disse Neves.

Segundo ele, cerca de 50 unidades correm risco de pedir recuperação porque estão "doentes financeiramente".

Para Neves, a situação é crítica não apenas para o setor, mas também para as cidades, que são sede dessas usinas. "Os fornecedores não recebem e as vagas de trabalho são fechadas. Também é ruim a previsão de queda de impostos para o município".


Veja também:
Estudo revela o perfil das usinas em recuperação judicial


De acordo com o levantamento da MBF Agribusiness, as usinas em recuperação planejam pagar suas dívidas em até 25 anos.

No início do ano, o estudo da MBF apontou que 58 usinas estavam em recuperação. A pesquisa atual contabilizou também unidades de pequeno porte, que não foram contempladas anteriormente.

Setor lidera números de pedidos de recuperação judicial

Especialista em recuperação judicial, o advogado Sérgio Emerenciano afirmou que é alto o número tanto de usinas que entraram em recuperação judicial quanto o de indústrias inativas, quando comparado com outros setores econômicos do país.

"Falta política governamental para sustentar os negócios das usinas. Esses índices [de empresas em recuperação] são altos", disse Emerenciano, que atuou em mais de 70 recuperações desde 2005.

Ely de Oliveira Faria, advogado especialista em direito empresarial e recuperação judicial e administrador de quatro usinas que se encontram neste processo, disse que a crise no setor também expõe produtores e parceiros.

"O custo operacional tem se revelado superior ou igual ao custo de comercialização dos produtos, causando deficit financeiro em toda a operação", afirmou Faria. Para ele, a recuperação viabiliza a negociação estruturada entre devedor e credores.

Segundo Emerenciano, além das usinas, as empresas que mais pediram recuperação são aquelas ligadas aos setores de alimentos, frigoríficos, redes de postos de combustíveis e de produtos lácteos.

"A recuperação beneficia o mercado como um todo, credores e empregados", disse Emerenciano.

JOÃO ALBERTO PEDRINI


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