Usinas

Mais duas usinas de cana-de-açúcar são fechadas em Minas


Diário do Comércio - 04 ago 2014 - 09:22 - Última atualização em: 29 nov -1 - 20:53

A crise enfrentada pelo setor sucroenergético em Minas Gerais provocou o fechamento de mais duas usinas no Estado na safra 2014/15, aumentando para oito o número total de empresas que deixaram de esmagar cana-de-açúcar nas últimas cinco safras mineiras. Com a confirmação recente, estima-se que foram perdidos nesse período 8 mil empregos diretos. A quebra na capacidade de produção é estimada em 7 milhões de toneladas de cana-de-açúcar. A atual política do governo federal, que beneficia a gasolina e prejudica o mercado do etanol, é a principal causa atribuída ao encerramento das atividades. O cenário é de estagnação do setor.

De acordo com o presidente executivo da Associação das Indústrias Sucroenergéticas de Minas Gerais (Siamig), Mário Campos, a crise é grave e vem acarretando diversos problemas, dentre eles o endividamento das unidades produtoras, que culmina no fechamento de unidades.

"Nos últimos cinco anos, perdemos no Estado oito usinas. Em 2014, duas foram fechadas e mais uma corre o risco de encerrar as atividades. No início da safra, a expectativa era de cenário mais favorável, o que infelizmente não está se concretizando. O mercado de açúcar continua em baixa e os preços muito próximos dos custos, o que deverá ser revertido somente em 2015. Em relação ao etanol, a política federal que favorece a gasolina continua prejudicando a competitividade e o consumo do combustível", disse.

Ainda segundo Campos, devido aos preços mais competitivos da gasolina frente ao etanol, o consumo do combustível no Estado ainda é muito pequeno, obrigando as usinas a negociarem 60% da produção em outros estados, o que eleva os custos com logística e causa prejuízo.

"Ao comercializar o produto em outro Estado, as usinas acumulam perda entre 3% e 4% no valor do combustível. Isso acontece porque é necessário absorver o gasto com transporte para que o etanol chegue aos estados vizinhos com preços competitivos. Caso a política federal não favorecesse a manutenção em baixa dos preços da gasolina, o etanol seria muito mais competitivo, o que é essencial para estimular o consumo e manter a produção no Estado", afirma Campos.

Safra

Em relação à safra, a expectativa é que sejam produzidas 59,5 milhões de toneladas de cana-de-açúcar, volume 3% menor que o observado no período produtivo anterior. Até a primeira quinzena de julho, já haviam sido esmagadas no Estado 25,5 milhões de toneladas de cana, volume 6,2% superior ao processado em igual intervalo da safra passada. Até sexta-feira, conforme o Siamig, 42,27% da produção estadual haviam sido esmagados.

"A seca registrada nos primeiros meses do ano tem influenciado de forma desigual as unidades produtoras. As mais prejudicadas estão concentradas nas regiões Centro-Oeste, Central, Noroeste e Zona da Mata. Temos no Estado oito usinas bem afetadas, que responderiam entre 15% e 20% da produção total. No Triângulo, região que concentra o maior número de usinas, a produção foi pouco impactada. Por isso, vamos manter a estimativa inicial de produção", explica.

Até a primeira quinzena da julho, a produção de açúcar chegava a 1,2 milhão de toneladas, com crescimento de 7,95% sobre o mesmo período da safra 2013/14. No acumulado, a quantidade é praticamente a mesma da safra passada, totalizando 41,87%. A produção total de açúcar estimada para a safra 2014/15, que ficará 3% superior, é de 3,5 milhões de toneladas.

Já a fabricação acumulada de etanol totalizou 1,06 bilhão de litros, representando um crescimento de 7,7% sobre a safra passada.

A produção de etanol anidro ficou 4,35% superior, com a geração de 468,4 milhões de litros, frente aos 448,9 bilhões fabricados em igual período da safra passada. O volume representa 36,62% do total estimado para o Estado, que será de 1,27 bilhão de litros.

No caso do etanol hidratado, o crescimento foi de 10,58%, com a produção de 591,4 milhões de litros. O índice de conclusão está em 47,22%, de um volume estimado em 1,25 bilhão de litros.

Michele Valverde