Usinas

Por ser mais açucareira, usina do noroeste paulista adia inauguração para 2020


Money Times - 11 dez 2019 - 07:45

A boa demanda pela cana no noroeste paulista e o layout mais açucareiro da antiga usina Everest, que nunca operou, abortaram os planos dos novos sócios, que pretendiam colocar a unidade para funcionar em 2019. Ficou para a 2020.

A empresa, rebatizada de Usina Aliança e consorciada entre 25 empresários do setor da região de Penápolis, “está praticamente pronta”, disse ao Money Times o líder do consórcio, Roberto Egreja. “Podemos começar a operar, quem sabe, até no início da próxima safra”.

Moeria projeta, inicialmente, uma moagem em torno de 300 mil toneladas, que avançaria até a usina atingir a capacidade de 1,3 milhão de toneladas por safra.

De acordo com ele, o adiamento aconteceu por razões estratégicas diante da conjuntura do setor. A cana está valorizada este ano na região devido às perdas provocadas pela seca e pela queda de produtividade nas duas safras anteriores. Por conta disso, as usinas em operação precisaram de muita matéria-prima para dar conta da capacidade produtiva em mais uma temporada alcooleira.

Ainda segundo o empresário – que também é presidente da Usina Atena, em Martinópolis (SP) – a Usina Aliança está configurada para iniciar suas atividades com um perfil mais açucareiro (80% do mix). Entretanto, como a commodity atravessou mais um ano depreciada, os sócios preferiram garantir receita vendendo cana para outros e cumprindo contratos.

Considerada de pequeno porte, a Aliança tem como diferencial operar com sócios que são garantidores de matéria-prima, justamente o grande desafio da atividade sucroenergética. Mas esse modelo não é novidade no município de Penápolis, já que a antiga – e hoje desativada – Usina Campestre trabalhou desta forma.

Este também seria o modelo de funcionamento da Usina Everest, pronta há 20 anos, mas que nunca entrou em operação. De acordo com Egreja, os principais elementos da operação estavam em boas condições, como caldeira e moenda. Assim, os custos se concentraram na parte elétrica, com interligações e casa de força (inclusive pensando em cogeração de energia), entre outros.

Com os recursos necessários sendo divididos entre os 25 produtores que entraram no consórcio, a previsão da companhia era de gastos considerados modestos inicialmente, entre R$ 20 e R$ 30 milhões.

Giovanni Lorenzon