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“Esperamos produzir mais etanol em MS e mais açúcar em MG”, diz diretor da Adecoagro


Agência Estado - 16 mar 2020 - 08:25

A Adecoagro, uma das companhias líderes do setor agrícola na América do Sul, espera produzir mais etanol em Mato Grosso do Sul e mais açúcar em Minas Gerais, de acordo com o diretor de açúcar, etanol e energia da empresa, Renato Junqueira Santos Pereira.

“Em Mato Grosso do Sul, temos restituição de impostos e disponibilidade de estocagem para vender o etanol no pico do preço, então acreditamos que vamos maximizar a produção de etanol no Estado”, disse ele em teleconferência com investidores e analistas. “Já em Minas Gerais, achamos que vamos produzir mais açúcar, mas vamos prestar atenção para arbitrar com base nos preços”, salientou.

Quanto aos preços do adoçante, que vêm sendo pressionados em decorrência do coronavírus e do recuo do petróleo, Pereira disse que os “fundamentos estão bons”. Mesmo que a produção do Brasil aumente na próxima safra, afirma ele, especialistas ainda esperam déficit global entre 7 milhões de toneladas e 11 milhões de toneladas. “Quando passarmos deste atual momento, achamos que o açúcar vai se recuperar”.

Em relação aos temores de o recuo do petróleo tornar o etanol menos competitivo, o executivo disse que os preços na refinaria representam um menor parte do valor da gasolina cobrada na bomba, e que a desvalorização do real ajuda a “mitigar efeitos do preço baixo”.

O câmbio, no entanto, não deve influenciar os custos da empresa, pois os insumos da companhia já estão negociados em reais, de acordo com o executivo.

A empresa informou, ainda, que é cedo para prever o efeito que o coronavírus terá na demanda, mas já admite esperar que possa ter leve queda. “É cedo para prever, porque depende do crescimento global e do Brasil”, afirmou Pereira. “Esperamos que nossa demanda caia um pouco, mas é cedo para dar número final. Produzimos itens que as pessoas sempre vão consumir, como açúcar, então o impacto deve ser menor do que para outros produtos”, completou.

O CEO da companhia, Mariano Bosch, disse que a empresa está preparada para os desafios que estão à frente. Mesmo assim, durante a teleconferência, foi comentado que pode haver queda entre 5% e 8% no Ebitda projetado para a empresa.

Bosch também ressaltou que o plano de investimentos de cinco anos está se aproximando do fim e que este ano a empresa pode voltar a ter fluxo de caixa livre positivo.

Augusto Decker


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