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Usinas

Com crise, 2 usinas goianas param de processar cana


O Popular - Goiânia - 19 mar 2014 - 09:28
Usina Santa helena Goias 190314
Usina Santa Helena, em Goiás

Na contramão do consumo, que cresce a cada ano com o aumento do número de carros flex nas ruas, a produção de etanol pode cair na próxima safra em Goiás. Além dos efeitos da seca prolongada e da falta de investimentos nos canaviais, usinas estão optando por não processar cana nesta safra.

Em todo País, 56 empresas do setor estão em recuperação judicial. Em Goiás, o problema é vivido pelas usinas Santa Helena, em Santa Helena, e Denusa, em Jandaia.

A Usina Vale Verde, em Itapuranga, também não processou cana nas duas últimas safras, situação que deve se repetir esse ano. A cana produzida por ela está sendo remanejada para outras duas indústrias do grupo nos municípios de Itapaci e Anicuns, que também produzem açúcar.

A reportagem apurou que a Energética São Simão, localizada no município de mesmo nome, no Sul do Estado, também já teria vendido sua cana para outras usinas.

Crise
Os baixos preços do etanol não estariam estimulando a produção do combustível em todo País. Além de duas usinas paradas, outras duas estão em processo de recuperação judicial no Estado.

Estimativas apontam que o endividamento das usinas e destilarias na região Centro-Sul do País, maior produtora de cana-de-açúcar do País, iniciam a safra 2014/2015 com um endividamento de R$ 65 bilhões.

Paralisação pode resultar em desemprego
Para André Rocha, a safra em Goiás não deverá ser afetada com a paralisação de Usinas, porque essa cana será moída por outras indústrias. Porém, pode gerar efeitos negativos, como o desemprego e a queda da arrecadação, principalmente nas economias dos municípios onde elas estão instaladas. Para ele, o maior problema é que o etanol concorre com um produto subsidiado, que é a gasolina, benefícios que também deveriam abranger o etanol, que perdeu a competitividade a nível nacional.

Impactos
Segundo o professor Marcos Fava Neves, da USP, algumas usinas podem deixar passar a safra, pois a seca prejudicou o canavial. Com as chuvas escassas, às vezes e melhor esperar outro ano, mas com terríveis impactos ao fluxo de caixa e a saúde financeira do negócio. "Estimativas dizem que das quase 600 milhões de toneladas esperadas, estamos com algo próximo a 550 a 570 milhões, e estamos consumindo mais etanol no bimestre em relação ao ano passado."

Portanto, ele prevê problemas ao longo do ano no suprimento de combustíveis no Brasil, prejudicando até a Petrobras. Marcos lembra que os custos de produção subiram muito e, hoje, para deixar algum lucro, o etanol teria que custar cerca de R$ 1,40 na usina. Então, ao consumidor final, o preço chegaria próximo a R$ 2, se a distribuição e o posto ficassem com R$ 0,30 cada um. Porém, o preço ao consumidor já está maior que isso. "Portanto, teremos problemas com preços neste ano, se o consumo de combustível continuar crescendo", alerta o professor da USP.

Para ele, o governo deve entender que o setor é estratégico ao Brasil, ao meio ambiente, à balança comercial e à economia. "É preciso recuperar os investimentos para gerar os benefícios em cidades que recebem usinas." Outra medida seria reduzir o ICMS em alguns Estados.

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