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Copersucar lucrou 16% mais em 2013/14


Valor Econômico - 18 jun 2014 - 09:32 - Última atualização em: 29 nov -1 - 20:53

Mesmo depois de arcar com os custos provocados pelo incêndio que comprometeu temporariamente seu terminal portuário no porto de Santos, no litoral paulista, a Copersucar, maior trading de açúcar e etanol do mundo, encerrou seu exercício 2013/14, em 31 de março passado, com resultado operacional e lucro líquido maiores que em 2012/13.

Foram decisivos para esses avanços as oportunidades geradas no primeiro trimestre deste ano pela intensa volatilidade das cotações internacionais do açúcar e pelas nevascas que atingiram regiões dos Estados Unidos e motivaram uma forte valorização dos preços do etanol naquele país, onde a empresa brasileira controla a maior comercializadora do biocombustível.

Com esses impulsos, a Copersucar fechou o último exercício (equivalente à safra canavieira 2013/14) com lucro líquido (atribuído aos acionistas controladores) de R$ 79 milhões, 16,17% maior que no ciclo anterior (R$ 68 milhões). Se for considerado o prêmio de 2% sobre as cotações calculadas pela Esalq para açúcar e etanol pago antecipadamente às usinas sócias, o resultado líquido "ajustado" foi positivo em R$ 208 milhões, 3,48% superior ao de 2012/13 (R$ 201 milhões).

De acordo com Paulo Roberto de Souza, presidente da Copersucar, o incremento decorreu sobretudo das decisões tomadas pela empresa diante da volatilidade do açúcar entre janeiro e março deste ano, o último trimestre do exercício 2013/14.

"Quando o açúcar desceu a 15,30 centavos [de dólar por libra-peso na bolsa de Nova York], nossa leitura de mercado foi que haveria uma inversão. Assumimos uma posição comprada [que aposta na alta] e acertamos, pois os preços bateram 18 centavos", lembra o executivo.

A Copersucar movimentou um total de 8,6 milhões de toneladas de açúcar em 2013/14, um aumento de 10,25% na comparação com o ciclo anterior. Mas o volume ficou 4,6% abaixo da meta inicial de 9 milhões de toneladas, em consequência das dificuldades logísticas decorrentes do incêndio ocorrido em outubro do ano passado em seu terminal de exportação em Santos.

A movimentação de etanol da empresa a partir do Brasil cresceu 8,8% na comparação, para 4,9 bilhões de litros, enquanto nos Estados Unidos, por meio da controlada Ecoenergy, aumentou 30,7% e atingiu a 6,9 bilhões de litros. Ao todo, portanto, foram 11,7 bilhões em 2013/14, ou 11,3% da produção mundial.

Com isso, a receita líquida da Copersucar cresceu 57% no exercício encerrado em março, para R$ 23,2 bilhões. "Foi a primeira safra completa com os resultados da Ecoenergy, que foram duas vezes maiores do que esperávamos quando compramos o controle da companhia (65%), no fim de 2012", disse Luís Roberto Pogetti, presidente do conselho de administração da Copersucar.

A diferença básica entre os ambientes de negócios para o etanol no Brasil e nos EUA, conforme Pogetti, é a maior liquidez no mercado futuro americano, tanto na bolsa (de Chicago) quanto no balcão (contratos futuros negociados fora da bolsa). "Isso nos possibilita assumir posição e aproveitar oportunidades oferecidas pela oscilação de preços".

Mas, na temporada 2013/14, um fator adicional garantiu a melhora dos resultados da Ecoenergy. Segundo Pogetti, a nevasca que prejudicou a logística americana fez as cotações do etanol para entrega na costa leste do país dobrarem do patamar de US$ 2 para US$ 4 o galão (3,785 litros) no primeiro trimestre. "Tínhamos avaliado bem o mercado e tomamos posição. A nossa logística nos permitiu aproveitar a oportunidade, pois tínhamos etanol estocado na costa".

Todos esses fatores contribuíram para uma expressiva alta de 134%, para R$ 488 milhões, do indicador que mede o desempenho operacional da empresa, o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda). Somados os 2% relativos ao prêmio de exclusividade pago às usinas sócias, o aumento do Ebitda "ajustado" chegou a quase 67%, para 488 milhões.

Investimento em logística é preservado

A capitalização de R$ 100 milhões realizada no fim do ano passado pelos sócios da Copersucar e a geração de caixa de R$ 100 milhões decorrente da operação contribuíram para que a dívida líquida da empresa (descontados estoques) tenha recuado para R$ 386 milhões em 31 de março deste ano, 34% menos que um ano antes (R$ 591 milhões).

Devido ao maior volume de produtos armazenados no fim de março passado - equivalente a R$ 1,72 bilhão, ante R$ 1,19 bilhão um ano antes -, a dívida líquida da companhia incluindo estoques subiu 17,9% na comparação, para R$ 2,1 bilhões.

"Nossos investimentos foram mantidos, apesar do incêndio [no terminal de açúcar em Santos]", diz Paulo Roberto de Souza, presidente da Copersucar. Ele se refere aos aportes no etanolduto da Logum Logística, na qual a Copersucar detém 20%, na construção de um terminal próprio de etanol em Paulínia (SP), agora em fase de licença para operar, e na ampliação da estrutura de armazenagem de etanol nos EUA.

Ao todo, foram investidos R$ 236 milhões em 2013/14, dos quais R$ 75 milhões na reconstrução dos armazéns incendiados do terminal portuário de Santos. Em 2014/15, esse montante de investimentos será de R$ 169 milhões, segundo Souza - R$ 50 milhões na Logum Logística e R$ 26 milhões na conclusão do projeto de Paulínia. "Haverá também uma parte destinada à conclusão das obras do terminal incendiado".

O cronograma de retomada da exportação de açúcar a partir da estrutura própria de Santos está mantido, segundo o executivo. Desde maio, dois armazéns recuperados entraram em operação com capacidade conjunta para embarcar 4 milhões de toneladas por ano, praticamente metade da capacidade total do terminal antes do incêndio - entre 8 milhões e 10 milhões de toneladas. O terminal, com todo seu potencial de embarque, só estará concluído em fevereiro de 2015.

Incêndio e parceria fizeram da safra um "teste de resistência"

Para Luís Roberto Pogetti, presidente do conselho de administração da Copersucar, a safra 2013/14 foi uma "montanha-russa". A empresa teve que gerenciar - e superar - os transtornos provocados pelo incêndio de outubro do ano passado em seu terminal açucareiro no porto de Santos e, paralelamente, costurar uma importante parceria estratégica com a multinacional americana Cargill para a criação da maior trading global de açúcar, anunciada em março.

"Tivemos que gerenciar emoções, para cima e para baixo, e ainda entregar resultado. Foi um teste rigoroso de resistência. A crise mostrou o comprometimento de sócios, clientes, fornecedores e funcionários", afirmou Pogetti ao Valor.

Com o incêndio em Santos, a Copersucar calcula que tenha perdido R$ 130 milhões, valor que considera gastos na limpeza e na reconstrução do terminal de açúcar e despesas não indenizadas pelo seguro. Também fazem parte desse montante os custos adicionais com frete rodoviário, já que parte das cargas de açúcar teve que ser transportada de caminhão até o porto de Paranaguá (PR). O valor contempla, ainda, os gastos adicionais da ordem de 20% com a "elevação de açúcar" (carregamento no navio), já que a Copersucar usou terminais de terceiros para escoar parte de suas vendas ao exterior.

Tendo em vista a associação com a Cargill, ainda em fase de aprovação por órgão reguladores, a Copersucar não divulgará neste ano sua projeção para a movimentação de açúcar da nova safra, a 2014/15. A empresa espera que a joint venture com a múlti americana comece a operar no último trimestre do ano.

"Com etanol, deveremos manter o mesmo volume no Brasil, uma vez que a produção não deverá crescer. Nos Estados Unidos, deveremos avançar", disse Pogetti. Isso porque, na nova safra, mais uma usina americana de etanol fechou contrato de fornecimento exclusivo para a Ecoenergy. E, segundo ele, há negociações para a adesão de mais duas unidades.

Fabiana Batista

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