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Cargill deve manter divisão de açúcar, mas aposta é no etanol de milho

Gigante americana de grãos investirá cerca de R$ 400 milhões no Brasil este ano. ‘Eleição não muda planos da Cargill’, diz presidente da empresa no País


O Estado de S. Paulo - 18 abr 2018 - 08:12

A multinacional americana Cargill vai manter os planos de investimentos no Brasil, apesar das incertezas em relação à corrida eleitoral deste ano. O grupo planeja investir cerca de R$ 400 milhões, sobretudo em logística e na expansão da fábrica de amido em Uberlândia (MG), diz Luiz Pretti, presidente da múlti no País. “O Brasil é o mercado que recebe mais aportes da Cargill fora dos Estados Unidos e continua estratégico para o grupo, independentemente do cenário político”.

No setor de açúcar e etanol, a companhia tomou a decisão de adquirir 100% do controle da Cevasa, unidade sucroalcooleira que tinha em sociedade com a Canagril, que reúne fornecedores de cana. Dessa forma, a multinacional vai manter essa divisão negócios por pelo menos dois anos.

Ao lado de concorrentes globais – como ADM, Bunge e Dreyfus –, a Cargill também entrou na produção de açúcar e etanol, mas não foi tão bem-sucedida. Agora, a grande aposta da companhia é na produção de etanol a partir do milho, com a SJC Bioenergia.

Uma das maiores exportadoras do País, a companhia registrou no ano passado receita líquida de R$ 35 bilhões, aumento de 6% sobre o ano anterior. O lucro líquido ficou em R$ 593 milhões, recuo de 16% sobre 2016. A queda do resultado, segundo o executivo, reflete justamente os gargalos da agricultura da “porteira para fora”.

“O País teve uma safra agrícola excepcional em 2017, com o agronegócio respondendo por quase 25% do PIB nacional. Mas o problema é o escoamento dessa produção. Os cerca de 90 quilômetros sem asfalto da BR 163 trazem um problema para as tradings que escoam pelo Arco Norte do País”, diz.

Outros investimentos

Com 22 fábricas, sobretudo para esmagamento de grãos e presença em seis portos, a multinacional deverá fazer mais aportes em barcaças este ano, uma aposta clara em hidrovia como opção aos caminhões. Em 2017, uma parte dos investimentos da companhia foi para a aquisição de 20 barcaças que saem pela rota fluvial no rio Tapajós para evitar a BR 163. Outros cerca de R$ 100 milhões deverão ser colocados no Terminal de Exportador de Santos (TES), da qual possui 40% em uma parceria com a concorrente Dreyfus.

Além disso, a gigante global de commodities agrícolas vê espaço para expansão em infraestrutura ferroviária. Por exemplo, a múlti aguarda as definições de investidores para o projeto da Ferrogrão, que já teve audiência pública e está sendo conduzido pelo consórcio da EDLP – projeto que pode receber mais de R$ 12 bilhões em aportes.

Os investimentos como um todo do grupo, no ano passado, ficaram em R$ 793 milhões, valor maior que o previsto inicialmente. “Nos últimos sete anos, a Cargill colocou US$ 1,5 bilhão no País. Quando se fala em Brasil, tem de pensar no longo prazo.”

Segundo Pretti, os acionistas da companhia tentam entender este momento de incertezas no Brasil. “Nós acreditamos nas instituições do País. Não há preocupação, a não ser que mudem as regras do jogo. Sob o ponto de vista macroeconômico, o mercado externo está sendo muito generoso com o Brasil.”

Três perguntas

A Cargill vai manter os investimentos no Brasil, mesmo com as incertezas políticas deste ano?
Há muito que se fazer no Brasil. O País é estratégico para o agronegócio, independentemente do cenário político. Não é frase feita. O País responde por 9% da produção mundial de alimentos.

A corrida eleitoral ainda está indefinida e temos um ex-presidente preso...
O que me preocupa, na verdade, são os extremos. A radicalização é ruim. Estamos muito intolerantes. Os acionistas da Cargill em Minneapolis (EUA) dizem que veem um momento de indefinição, mas acreditam no amadurecimento do País. Acreditamos nas instituições e vamos manter nossos investimentos. A menos que mudem as regras do jogo.

Há um movimento de consolidação das tradings globais. Há notícias de que a Bunge pode ser comprada e há avanços de grupos asiáticos em grãos. Como a Cargill está neste cenário?
As margens das tradings são apertadas e a Cargill sempre foi muito espartana. Não vejo um eventual movimento de consolidação de forma negativa.

Mônica Scaramuzzo

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