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Biosev paralisa usina em São Paulo e faz demissões


Valor Econômico - 21 mar 2014 - 08:24 - Última atualização em: 10 abr 2014 - 14:01
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Segundo maior grupo sucroalcooleiro do país, a Biosev, controlada pela multinacional francesa Louis Dreyfus Commodities, anunciou ontem uma "reestruturação" em seu negócio que vai significar a desativação temporária, de uma usina em São Paulo e a redução de seu time de executivos.

O objetivo das medidas é fazer com que a companhia passe a ter, a partir da safra 2014/15, um fluxo de caixa positivo. "Em linhas gerais, vamos manter a mesma moagem, ou crescer a oferta de cana, mas com um menor custo fixo", afirma o presidente da Biosev, Rui Chammas.

A unidade que vai deixar de operar é a Jardest, localizada em Jardinópolis e que tem capacidade industrial para processar 1,5 milhão de toneladas por safra. O executivo afirma que a cana da área agrícola dessa usina será processada em outras três unidades vizinhas, situada no mesmo polo industrial, o de Ribeirão Preto).

Juntas, essas usinas - Santa Elisa, Vale do Rosário e MB - já processam 15,4 milhões de toneladas da matéria-prima e agora receberão mais 1,2 milhão a 1,3 milhão de toneladas provenientes da Jardest, explica Chammas.

Ele acrescenta que essas unidades usam 90% de suas capacidades instaladas e que, com a cana da Jardest, deverão ficar com ociosidade muito próxima do zero no ciclo 2014/15. "Não estamos 'apequenando' a Biosev. Estamos criando condições para passar por esse ciclo de baixa e nos preparando para aproveitar o ciclo de alta", disse.

As ações da companhia vêm sendo penalizadas desde a abertura de capital, em abril do ano passado, quando foram lançadas a R$ 15. Ontem, os papéis foram negociados com estabilidade, a R$ 8,85, uma queda de 41% em relação ao valor inicial. No período de nove meses encerrado em 31 de dezembro de 2013, a empresa registrou prejuízo líquido de R$ 449,11 milhões, ante perda de R$ 434 milhões no exercício anterior.

O presidente da companhia explica que uma equipe mínima de até dez funcionários ainda atuará na manutenção dos ativos industriais da Jardest para quando a empresa decidir reativar a operação da unidade - se é que isso vai mesmo acontecer. A Jardest tem 728 funcionários, e 200 foram realocados em outras unidades. Os demais já foram comunicados que perderão seus empregos.

Mas as demissões não ficaram apenas no chão de fábrica. O corpo de executivo da Biosev, hoje formado por 100 pessoas, também será reduzido em 20% com a demissão de diretores e gerentes. Com isso, diz Chammas, a gestão operacional das unidades que formam os quatro polos de produção no país - dois no Estado de São Paulo, um em Mato Grosso do Sul e um no Nordeste - será ajustada.

A empresa também vai reforçar a gestão de duas unidades (Leme, em São Paulo, e Lagoa da Prata, em Minas Gerais) que ficam nos extremos dos polos paulistas e que não estão recebendo a devida atenção, conforme Chammas.

Sem mencionar valores, a empresa informou que as medidas, aprovadas ontem por seu conselho de administração, também vão significar otimização de investimentos, alongamento de dívida e redução das necessidades de capital de giro. Rui Chammas esclarece que os aportes em renovação de canaviais e em manutenção industrial não serão reduzidos - ao contrário, serão os "maiores dos últimos três anos".

O corte deve abranger apenas investimentos em expansão. "Já estamos com elevada mecanização, acima de 95%, e não vemos grandes oportunidades para ampliar a cogeração de energia. O que vamos fazer é manter a manutenção da operação no estado da arte".

Após a frustrada tentativa de emissão de divida externa no fim do ano passado, a Biosev, conforme seu presidente, negocia no momento com bancos o alongamento do endividamento que em 31 de dezembro de 2013 era de R$ 3,4 bilhões (ajustada ao estoque de alta liquidez) - 38% no curto prazo. A companhia também pretende diminuir sua necessidade de capital de giro.

A companhia informou que os números precisos sobre os impactos dessas medidas vão ser refletidas nas demonstrações financeiras referentes ao período encerrado em 31 de março. Mas antecipou que alguns ajustes contábeis (sem efeito caixa) serão feitos com impacto negativo de R$ 740 milhões, líquidos de impostos.

Metade (50%) desse valor se refere a ajustes na provisão de ativos fiscais diferidos (direito a uso de créditos devido por prejuízos acumulados). Os outros 47% do impacto negativo se referem a ajustes contábeis de ativos fixos, dada a interrupção das atividades de uma unidade industrial. De acordo com a companhia, R$ 20 milhões podem ter, de fato, efeito caixa. Esse valor decorre de custos associados à interrupção das operações da Jardest.

A empresa antecipou que na divulgação dos resultados do exercício encerrado em 31 de março deverá ser comunicada, ainda, uma redução do valor justo dos ativos biológicos (canaviais) que deverá ficar entre R$ 120 milhões e R$ 180 milhões.

Fabiana Batista

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