BASF
Usinas

Sob ameaça, 30 usinas de cana do país têm dívida de R$ 11 bi


Folha de S. Paulo - 27 out 2014 - 08:48 - Última atualização em: 29 nov -1 - 20:53

A crise que atingiu o setor sucroalcooleiro nos últimos seis anos afetou quase um terço das usinas do país.

Levantamento da RPA (Ricardo Pinto e Associados), de Ribeirão Preto (a 313 km de São Paulo), mostra que 30 usinas estão prestes a pedir recuperação judicial. Juntas, as dívidas somam R$ 11 bi.

Essas empresas podem se juntar a outras 96, que já enfrentam problemas financeiros -algumas desde 2008, ano de início da crise econômica internacional.

Segundo a RPA, das 439 usinas do país, 343 operam, 33 estão paradas (estavam em recuperação judicial), 31 interromperam atividades, 22 operam em recuperação e dez foram à falência.

De acordo com Ricardo Pinto, diretor da RPA, essas 30 usinas que operam no vermelho têm capacidade de moer 60 milhões de toneladas de cana por safra.

"São usinas que estão atrasando pagamentos de fornecedores, insumos, arrendamento de terras", afirmou.

Ele disse que as indústrias têm dívida maior que R$ 200 por tonelada de cana moída. Como têm um rendimento de R$ 110 por tonelada, será praticamente impossível quitar todas as pendências.

A situação se agravou neste ano por causa da falta de chuvas, que derrubou a produtividade nas lavouras.

Segundo a Unica (União da Indústria da Cana-de-Açúcar), 22 unidades encerraram a atual safra. Nesta mesma época em 2013, apenas seis haviam parado as atividades. Isso ocorre porque há menos cana para ser processada.

A previsão é que até o final da safra sejam processadas 545,89 milhões de toneladas, o que representa queda de 5,88% em relação à safra passada, que atingiu moagem total de 580 milhões.

Diretor técnico da Unica, Antonio de Padua Rodrigues disse que o setor têm dívida total de R$ 79 bilhões -maior que o faturamento de uma safra toda (R$ 72 bilhões).

Sobre as usinas com risco de entrar em recuperação, ele argumenta que é possível contornar a situação.

Para ele, o cenário para a próxima safra é de reação dos preços por causa do possível aumento do valor da gasolina -quanto mais alto, melhor para o etanol.

"Os problemas foram agravados pelas condições climáticas [falta de chuvas], o que derrubou a produção", disse Carlos Roberto Ravanelli, gerente administrativo da usina Baldin, em Pirassununga.

Segundo ele, a recuperação judicial permite a reestruturação da empresa, que tem dívida de R$ 600 milhões.

Já outras usinas não conseguiram dar continuidade à produção, como a Jardest, de Jardinópolis, que paralisou as atividades em abril. Foram demitidos 378 trabalhadores.

JOÃO ALBERTO PEDRINI