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Petrobras confirma que deixará produção de etanol e biodiesel. Usinas e participações devem ser vendidas até 2021


novaCana.com - 21 set 2016 - 10:36

A divulgação do novo plano estratégico da Petrobras – que traz o planejamento da companhia para o período de 2017 a 2021 – aconteceu na manhã de ontem (20) e confirmou algo que o setor de biocombustíveis já dava como certo e o portal novaCana deu em primeira mão no ano passado: a estatal vai sair do mercado de produção de etanol e biodiesel.

Segundo a Petrobras, a opção faz parte de uma iniciativa para “otimizar o portfólio de negócios” com o objetivo de reduzir o endividamento e concentrar investimentos em áreas prioritárias. Assim, a Petrobras deve sair integralmente não apenas das atividades de produção de biocombustíveis, mas também da distribuição de GLP, produção de fertilizantes e das participações em petroquímica.

Em abril do ano passado, um relatório publicado pela divisão de Pesquisa e Análise do banco de investimentos Credit Suisse incluiu a Petrobras Biocombustível (PBio) em uma lista de 11 ativos da Petrobras que poderiam ser vendidos dentro do plano de desinvestimentos da companhia.

No setor sucroenergético, a PBio é sócia das empresas Bambuí (antiga Total, com participação de 43,58%), Guarani (42,95%) e Nova Fronteira (49%), que, juntas, operam nove usinas no Brasil com capacidade combinada para produção de 1,5 bilhão de litros de etanol por ano. Já no setor de biodiesel, a companhia conta com três plantas industriais próprias e outras duas em sociedade com a BSBios, totalizando uma capacidade produtiva de 846,6 milhões de litros anuais.

Contudo, ainda que o valor de venda estivesse estimado em US$ 905 milhões pelo Credit Suisse, os negócios não estão fluindo como a Petrobras gostaria. No ano passado a estatal apresentou alguns de seus ativos para potenciais compradores, mas as negociações não avançaram.

A percepção do mercado é de que a companhia estaria em busca de valores mais atrativos, o que ainda não aconteceu. Agora, com o prazo de sair totalmente do setor de biocombustíveis até 2021, a estatal parece apostar que conseguirá preços satisfatórios nos próximos cinco anos.

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Prejuízos da Petrobras com etanol e biodiesel

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Já no setor de biodiesel, a companhia conta com três plantas industriais próprias e outras duas em sociedade com a BSBios, totalizando uma capacidade produtiva de 846,6 milhões de litros anuais.

Em 2016, até o mês de julho, a PBio e a BSBios fabricaram 411,5 milhões de litros de biodiesel. Isso representa cerca de 18,7% da produção total do setor de biodiesel do período.

A venda dos ativos de biodiesel, no entanto, não deve ser uma missão particularmente simples. Os desafios para a Petrobras se desfazer de seus negócios na área de biodiesel havia sido explorados em reportagem publicada pelo portal especializado BiodieselBR em novembro passado.

Prejuízos da PBio se destacam entre estatais

Desde que a Petrobras deu início a seus projetos nos setores de etanol e biodiesel, a companhia apenas acumulou prejuízos. A PBio não apenas opera no vermelho desde que iniciou suas operações, mas também já bateu vários recordes quando se fala em resultados negativos.

No último balanço, como aconteceu em todos os trimestres da companhia, a estatal registrou nova perda, desta vez de R$ 76 milhões. Além disso, no ano passado, a divisão de biocombustíveis acumulou o maior prejuízo da sua história, superando a marca dos R$ 900 milhões negativos em um ano.

A empresa não está solitária no cenário e se junta a um time de estatais criadas pelo governo que vem acumulando perdas desde a sua criação. Um levantamento do Instituto Teotônio Vilela (ITV) aponta que entre 2003 e 2015 foram criadas 43 estatais. Dessa lista, pelo menos 17, daquelas que tem seus balanços divulgados, acumulam prejuízos.

A PBio está entre as três estatais não financeiras que mais perderam dinheiro, com mais de R$ 2,15 bilhões em prejuízo entre 2009 e 2015. Além disso, também está entre as estatais que mais sentiram o peso da folha de pagamento, conforme histórico da despesa pessoal nos últimos anos. A folha de pagamento é um indicador para medir o inchaço de funcionários.

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Da PBio, as despesas com folha de pagamento representaram um acumulado de R$ 584 milhões no período avaliado. De 2009 a 2015, as despesas com pessoal da companhia cresceram mais de 129%.

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Marina Gallucci e Renata Bossle – novaCana.com