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ADM vende usina e operações de etanol no Brasil


Reuters - 01 abr 2016 - 08:27

Depois de quatro anos tentando vender a usina de etanol em Limeira do Oeste (MG), a norte-americana Archer Daniels Midland (ADM) finalmente fechou negócio com a JFLim Participações.

A ADM venderá áreas de canaviais e a usina com capacidade de processar até 1,5 milhão de toneladas de cana e produzir 140 milhões de litros de etanol por ano. Os termos de negociação não foram revelados.

Cerca de 650 funcionários trabalham nas lavouras e na destilaria em Limeira do Oeste, no Estado de Minas Gerais.

"Como nossa única operação de etanol de cana no Brasil, esse ativo é muito pequeno para que a ADM possa competir efetivamente em um desafiador ambiente do etanol", disse o presidente da unidade de processamento de milho da ADM, Chris Cuddy, em comunicado.

ADM no setor de etanol brasileiro

A usina foi construída em parceria com o ex-ministro da Agricultura do Brasil, Antônio Cabrera, e integrava um projeto maior de construção de duas outras usinas. Pelo planejamento inicial, desenhado em 2008 pelos sócios, seriam erguidas plantas em Limeira do Oeste (MG) e em Jataí (GO), com capacidade conjunta de moagem de 6 milhões de toneladas de cana por safra. A empreitada demandaria investimentos de US$ 520 milhões. Uma terceira unidade, em Tarumã (SP), também estava no radar, com aportes calculados em US$ 290 milhões.

Esse projeto não avançou, na esteira de uma forte crise que afetou nos últimos cinco anos o setor de cana-de-açúcar no Brasil. A paralisação do projeto desagradou Cabrera, então sócio da ADM, que após ter frustrada sua tentativa de vender sua participação no negócio, decidiu mover uma arbitragem na Câmara de Comércio Brasil Canadá (CCBC) contra a ADM, o que só foi se resolver definitivamente no fim do ano passado.

A ADM, com sede em Chicago, tem tentado vender a destilaria em Limeira do Oeste desde 2012. À época, a empresa contratou o Bank of America Merrill Lynch (BofA) para a negociar o ativo. No mês passado, a empresa disse que não iria operar a unidade na safra 2016/17, após o fechamento na entressafra.

Até a recente recuperação nos preços, o setor de açúcar e etanol do Brasil estava enfrentando dificuldades em um mercado em condições baixistas há vários anos, com preços abaixo do custo de produção em muitos locais.

A ADM afirmou que o negócio está sujeito a avaliações pelas autoridades, e que o fechamento do acordo é esperado para o segundo trimestre deste ano.

Com trechos adicionais do novaCana e Valor Econômico