Tecnologia

Quem serão os primeiros consumidores de hidrogênio verde no Brasil?

Setores de refino, fertilizantes e amônia devem estar entre principais clientes, identifica estudo da CNI


EPBR - 22 ago 2022 - 08:25

Um estudo da Confederação Nacional da Indústria (CNI) sobre as perspectivas de aplicação do hidrogênio na indústria brasileira identificou que os setores de refino e fertilizantes – grandes consumidores de hidrogênio cinza – têm potencial de uso imediato das opções sustentáveis como estratégia de descarbonização.

O hidrogênio cinza é produzido com gás natural. As alternativas sustentáveis analisadas pela CNI consideram o azul (gás natural com captura e armazenamento de carbono) e o verde (eletrólise da água com energia renovável).

Já no curto e médio prazos (três a cinco anos), siderurgia, metalurgia, cerâmica, vidro e cimento aparecem como os potenciais consumidores.

O refino tende a ser o principal cliente – hoje, cerca de 74% do hidrogênio consumido na indústria brasileira é destinado às refinarias.

O documento destaca o crescimento da demanda por H₂ para o hidrotratamento de derivados de petróleo para atender regulações ambientais cada vez mais exigentes, e, mais recentemente, a adoção crescente de óleos vegetais como matéria-prima no refino.

De acordo com a Agência Internacional de Energia (IEA, na sigla em inglês), a capacidade mundial de produção de HVO (óleo vegetal hidrotratado, também conhecido como diesel verde) atingiu 1,9 milhão de barris por dia no ano passado e deve duplicar até 2023.

Para substituir a produção anual de H₂ cinza da Petrobras por verde, por exemplo, seria necessário o consumo de 16.000 GWh de energia, uma potência da ordem de 1,82 GW de capacidade, pelos cálculos da CNI.

“Assumindo disponibilidade de 40% para energia eólica, substituir a totalidade de H₂ produzido pela Petrobras requereria capacidade instalada de energia eólica de 4,55 GW”, diz o documento.

Os setores de fertilizantes e amônia vêm logo em seguida. Na análise, a CNI indica “grande potencial” na produção de amônia a partir de hidrogênio verde próxima ao agronegócio, que hoje consome 87 mil toneladas por ano de H₂.

O H₂ de eletrólise ou biomassa poderia substituir o gás natural na produção de fertilizantes, ajudando a resolver questões de custo e logística:

Como o preço do gás natural brasileiro é historicamente alto em comparação com os preços internacionais, hoje vale mais a pena importar o produto – o agro importa 85% dos volumes de fertilizantes nitrogenados.

O custo de transporte de fertilizantes desde as plantas de produção localizadas no Nordeste ou dos portos de importação até as principais fronteiras agrícolas do país é muito elevado.

Além disso, a amônia também desponta como o combustível da transição no transporte marítimo.

Em abril deste ano, Yara International e Azane Fuel Solutions assinaram um acordo comercial para estabelecer uma rede de bunkers – combustível de navios – à base de amônia verde na Escandinávia até 2024.

Enquanto isso, Maersk, Keppel Offshore & Marine e Sumitomo Corporation estudam a viabilidade do uso da amônia verde para estabelecer uma cadeia de suprimento no Porto de Singapura, o maior porto de bunkering do mundo.

Nayara Machado

Tags: Biometano

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