Tecnologia

Pernambuco planeja produzir bioquerosene e diesel de cana em 2016

Combustíveis serão fabricados a partir da cana-de-açúcar e do poder calorífico de plantas da caatinga


FolhaPE - 06 ago 2015 - 09:10

O projeto da primeira biorrefinaria de Pernambuco ganhou prazo para sair do papel. Em aproximadamente um ano, o Estado deve estar habilitado a produzir bioquerosene, combustível limpo para o setor aéreo – sobretudo aos aviões das rotas para Fernando de Noronha – além de diesel verde, utilizado no abastecimento de termelétricas. A plataforma pernambucana fabricará os produtos utilizando a cana-de-açúcar e o alto poder calorífico de plantas nativas da caatinga, a exemplo da macaíba.

O projeto estava sendo discutido há pelo menos um ano. Agora, a assinatura de um memorando de entendimentos assegurou o início do processo de implantação. O protocolo foi feito nesta terça-feira (04) pelo governador Paulo Câmara, durante o evento PE no Clima. O governo ainda está definindo as fontes dos recursos para o investimento orçado em R$ 100 milhões.

De acordo com o secretário de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semas) do Estado, Carlos Cavalcanti, é possível que o projeto seja viabilizado por uma Parceria Público-Privada (PPP). Em 15 dias, um grupo de representantes do Governo, 25 empresas e entidades que assinaram o memorando será formado para fomentar o projeto.

A instalação de uma biorrefinaria no Estado deve beneficiar os negócios do setor sucroenergético. Inicialmente, o etanol produzido aqui será beneficiado em Brotas (SP), onde a empresa Amyris mantém uma biorrefinaria.

“O diesel de cana é obtido por meio de uma manipulação genética do xarope do etanol. A demanda criará uma nova cadeia envolvendo a fabricação de produtos sustentáveis”, comentou o presidente do Sindicato da Indústria do Açúcar e do Álcool de Pernambuco (Sindaçúcar-PE), Renato Cunha. Ele ressaltou que Pernambuco deve produzir de 480 a 500 milhões de litros de etanol na safra 2015/2016, um volume suficiente para atender o projeto de combustíveis limpos, a depender dos valores de contrato.

O Governo do Estado também está tentando trazer uma operação da Amyris para Suape. “Já estamos em tratativas com a empresa, que manifestou interesse”, revelou Carlos Cavancanti. Entretanto, o coordenador da Plataforma Brasileira de Bioquerosene, Mike Lu, acredita que “a Amyris deve fazer apenas o licenciamento da tecnologia às empresas locais”.

Para reduzir os custos de produção, um projeto defende a desoneração fiscal do bioquerosene. Atualmente, a proposta aguarda aprovação do Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz).

“Estamos pleiteando a desoneração de 80 mil litros de bioquerosene de aviação nas rotas para Noronha. Também queremos desonerar o diesel verde, empregado na termelétrica instalada no arquipélago”, informou Cavalcanti. A utilização de 100% do combustível reduziria 82% das emissões de poluentes na térmica.

O primeiro voo com combustível verde será realizado este mês, pela Gol Linhas Aéreas, com destino a Fernando de Noronha. Será a primeira rota comercial fixa com bioquerosene.


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