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Indústria

Setor de açúcar e etanol tem "otimismo prudente"


Folha de S. Paulo - 29 jun 2016 - 08:24

O cenário para o açúcar é bom nos próximos dois anos. A demanda mundial é crescente, e o Brasil tem um bom posicionamento estratégico.

Essa é a avaliação de Jacyr Costa Filho, diretor da Tereos no Brasil. Ele vê o setor com "um otimismo prudente".

O câmbio ajuda e os estoques mundiais estão baixos, o que coloca o produto brasileiro em evidência e o deixa mais competitivo.

Na avaliação da Tereos, o déficit mundial entre oferta e demanda de açúcar fica próximo de 6 milhões de toneladas na atual safra 2015/16. O déficit se manterá também na safra seguinte, atingindo pelo menos 5 milhões de toneladas.

Os estoques mundiais estão praticamente nas mãos de chineses e indianos, o que traz uma desvantagem ao Brasil, que só tem capacidade de armazenagem de 40% da safra.

Os chineses conseguem armazenar o correspondente ao consumo de uma safra.

Para ser mais competitivo, e negociar o produto de forma e hora mais adequadas, o país deveria ter meios para elevar essa capacidade de armazenagem.

O mesmo critério vale para o etanol, que teria uma maior regularidade de preços, o que seria bom para produtor e consumidor.

Ao contrário do açúcar, a demanda do etanol não mostra crescimento neste ano.

"Há uma relativa estagnação, mas o setor se beneficia do aumento da mistura do etanol na gasolina, da alteração na Cide (o imposto do combustível) e da mudança de ICMS em vários Estados", afirma o diretor da Tereos.

Um dos Estados que mudaram o tributo foi Minas Gerais, onde houve uma forte aceleração no consumo.

O etanol não tem um crescimento na demanda, mas melhora muito em relação ao desastre de períodos anteriores, segundo Costa.

Há uma preocupação do setor, no entanto, com o que deve ocorrer no final do ano.

O período do crédito presumido dado pelo governo Dilma Rousseff, em setembro de 2013, termina em 31 de dezembro próximo.

Com isso, o produtor pagará mais R$ 0,12 de PIS/Cofins por litro de etanol.

A única maneira de compensar essa perda de competitividade do produto seria uma correção da Cide na mesma proporção.

Mauro Zafalon


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