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Recuperação do setor canavieiro nacional deve ser lenta, diz presidente da Abag


SNA - 13 out 2016 - 14:30 - Última atualização em: 14 out 2016 - 10:25

Um dos primeiros segmentos do agronegócio brasileiro a sentir o impacto da atual crise econômica no País, o setor canavieiro só começará a apresentar sinais de recuperação dos investimentos em 2017. Por causa do atual cenário, o momento ainda é de muita cautela.

“Há uma retomada lenta do setor, porém, o que precisamos ter em mente, no momento, é que a produtividade é tudo”, afirmou Luiz Carlos Correa Carvalho, presidente da Associação Brasileira do Agronegócio (Abag) e presidente da Academia Nacional de Agricultura, da Sociedade Nacional de Agricultura (SNA).

Ele ministrou uma palestra no Seminário de Planejamento Estratégico para 2017, realizado pela Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), no último dia 7 de outubro, em São Paulo (SP).

Segundo Caio Carvalho, como é conhecido, o setor bioenergético passa por um momento de retomada da capacidade econômica, com custos alinhados aos preços de mercado.

“Embora os gestores das unidades produtoras de açúcar, etanol e bioeletricidade ainda estejam cautelosos, eles acreditam que há condições de recuperar parte do que foi perdido durante a forte crise enfrentada pelo setor durante os últimos anos”.

Preços do açúcar e do etanol

Em sua palestra, sobre Modernização e Tendências do Agronegócio Canavieiro, o executivo afirmou que, para os próximos três anos, a expectativa é que os preços do açúcar e do etanol continuem em alta, em razão da oferta menor do que a demanda.

“É uma conta simples, com a produtividade em queda, a oferta é menor. Portanto, precisamos renovar nossos canaviais, pois à medida que a idade média deles cresce, sua produtividade cai”, explicou o presidente da Abag, lembrando ainda que, nesta conta, devem ser considerados os altos índices de impurezas do produto.

Ele apontou, além disto, a necessidade de adequação do setor em relação às demandas futuras, tanto internas quanto externas: “O Brasil será, de fato, a partir do século 21, a grande fonte para atender as demandas mundiais, seja por alimentos, seja por combustíveis renováveis através da biomassa, e precisamos nos preparar para atender esse mercado”.

Em sua opinião, alguns setores do governo precisam ter uma visão moderna e mais aberta para que processo de recuperação, mesmo que de uma forma lenta, seja possível. “Se por um lado, alguns produtores já tem a noção de produtividade sustentável, por outro, precisamos vencer a resistência de muitos ambientalistas, que ainda têm a visão de criar barreiras para o agronegócio. Por isso, a necessidade de modernização de todos os processos”, ponderou.

Cofins

Um dos pontos destacados por Carvalho para a retomada do crescimento do setor canavieiro será a isenção da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) sobre o etanol, a partir do primeiro dia do ano que vem.

“Um ponto essencial nessa questão é que no dia 31 de dezembro a isenção da Cofins sobre o etanol deve terminar, ou seja, são 12 centavos por litro, e que deve ter um peso relevante na margem do produtor”.

Neste sentido, continua o presidente da Abag, “nós acreditamos que aquilo que possa onerar mais a gasolina e onerar menos o etanol sempre será muito positivo para o agronegócio canavieiro e obviamente para toda a cadeia produtiva desse segmento”.

Mercado

Na opinião de Carvalho, apenas para manter o market share de 45%, na participação do mercado mundial, o Brasil precisará aumentar a capacidade produtiva, nos próximos anos.

“Para atender à demanda global de açúcar, de 3,5 milhões de toneladas anuais, o País terá de instalar quatro usinas por ano, com uma produção de 2,5 milhões de toneladas. Em relação ao etanol, para suprir o mercado interno, o Brasil precisa montar dez usinas ao ano”, calculou.

Como medidas imediatas, ele citou a necessidade de investimentos para ampliar a qualidade do plantio e reduzir as impurezas durante o processamento da cana-de-açúcar, desafio imposto pela mecanização da colheita, o que propiciará a volta dos investimentos no setor.

“Estamos vivendo um período em que há limites de recursos naturais e financeiros, por isso, a recuperação será lenta. É preciso incentivar o investimento e buscar o aumento da produtividade”, reforçou o presidente da Abag.


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