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Pesquisas

Usina da Raízen testa sistema que mede quantidade de açúcar na cana em cinco minutos

Batizado de “laboratório do futuro”, projeto piloto da Raízen está em operação na unidade de Brotas (SP)


Globo Rural - 15 mai 2019 - 07:08
Laboratório Pagamento de Cana por Teor de Sacarose (PCTS), o “Laboratório do Futuro”, em Brotas (SP)

Um dos principais fatores que determinam a qualidade da cana-de-açúcar é o seu teor de sacarose (açúcar), o que significa que quanto mais elevados os teores, melhor é a cana. O cálculo da quantidade de açúcar normalmente é manual e leva de 45 minutos a uma hora.

Com intenção de agilizar a medição, a Raízen inaugurou um sistema automatizado que analisa, em uma média de cinco minutos, a cana-de-açúcar assim que ela chega à unidade processadora. O laboratório Pagamento de Cana por Teor de Sacarose (PCTS), chamado de “Laboratório do Futuro”, é piloto e está em operação na usina Paraíso, em Brotas (SP).

O processo usualmente feito nas unidades exige que o motorista do caminhão carregado desembarque do veículo e, junto de um funcionário da empresa, inicie a coleta da amostragem da cana a ser avaliada.

Agora, segundo o gerente de qualidade integrada da Raízen, José Orlando, a partir da balança, o motorista recebe um QR code (em português: código de resposta rápida) e o leitor informa o local adequado onde o caminhão deve ser estacionado. Em seguida, a sonda desce automaticamente, retira a quantidade de cana que passará por análise e a descarrega em um outro equipamento onde ela será desintegrada.

A avaliação do material coletado é feita por um aparelho chamado Infravermelho Próximo (em inglês, Near InfraRed ou NIR), capaz de fazer a análise simultânea de vários parâmetros, tais como as ligações químicas das substâncias que compõem uma amostra.

Os primeiros trabalhos envolvendo a tecnologia NIR começaram ainda no século XIX. Na década de 1970, ele foi usado para a avaliação de diversos alimentos, como frutas, mas seu uso industrial só foi intensificado a partir da década de 1990.

Com a tecnologia, a frequência da amostragem é aumentada e a precisão analítica também cresce. “Estamos muito confiantes no potencial desse projeto não só para a Raízen, mas para o setor como um todo. Quando o nível e a capacidade de amostragem são aumentados, ganham todos. O resultado vai ser muito positivo”, avalia.

A meta da empresa é expandir a tecnologia para as demais unidades em um horizonte de cinco anos. Além disso, a empresa tem a proposta de aprimorar o sistema automatizado para que seja possível comunicar na mesma hora e de maneira online as frentes de colheita, caso sejam encontradas nas amostras eventuais alterações que possam comprometer a comercialização da matéria-prima. “Isso irá maximizar a qualidade e produtividade no campo e na indústria”, completa o gerente.

O equipamento usado pela Raízen em Brotas começou a ser desenvolvido em 2016 e já passou pela homologação do Conselho dos Produtores de Cana de Açúcar, Açúcar e Etanol do Estado de São Paulo (Consecana). A unidade processa 10 mil toneladas de cana por dia, mas há plantas, entre as 24 em operação da empresa, que chegam a processar 35 mil toneladas por dia.

Thaisa Visentin