Máquinas e equipamentos

Volkswagen Caminhões e Ônibus testa modelo autônomo em parceria com a Raízen


Reuters - 28 set 2022 - 07:54

A Volkswagen Caminhões e Ônibus, empresa do grupo de veículos pesados Traton na América Latina, anunciou nesta terça-feira, 27, que está fazendo testes com um caminhão autônomo no Brasil para aplicação na agricultura e relançou toda a linha para se adequar às novas regras mais exigentes de emissão de poluentes, que entram em vigor no país no início de 2023.

O teste com o caminhão autônomo está sendo feito em parceria com a empresa de açúcar e etanol Raízen, na colheita de cana-de-açúcar no interior de São Paulo, afirmou o presidente da montadora, Roberto Cortes.

O modelo é um protótipo e representa um dos primeiros testes da tecnologia no país. O veículo tem ajudado no transporte de cana recém-colhida para envio a usinas. O caminhão é um modelo de grande porte da marca, um Constellation, equipado com motor a diesel e tecnologia de direção sem motorista da norte-americana Raven, disse o executivo.

“Estamos experimentando e vendo custo, autonomia, aplicações. Acreditamos que os caminhões elétricos são mais adequados para a ‘última milha’ nas cidades enquanto o autônomo, no Brasil, para recintos confinados, para aplicações em agricultura e mineração, por exemplo”, disse Cortes.

Segundo ele, os primeiros modelos de caminhões totalmente autônomos ainda são uma realidade distante de aplicação no Brasil por vários fatores, incluindo as condições das rodovias. “Nível 5, sem motorista, é algo bem a longo prazo. Um dia teremos, talvez no final da década no Brasil”, afirmou.

A companhia iniciou a produção de seu primeiro caminhão elétrico no Brasil, voltado a entregas urbanas, há cerca de um ano e iniciou recentemente exportações do modelo, chamado de e-Delivery, para o México. Um dos principais clientes é a Ambev que também tem forte presença no mercado mexicano. O objetivo é alcançar toda a América Latina com o produto, disse o executivo, sem citar prazos.

Os esforços fazem parte de um plano para internacionalizar a empresa até 2030 sob os pilares de redução de emissões e eletrificação, conexão dos veículos com a internet e capacidade de direção autônoma.

O investimento para isso, disse Cortes, está em parte dentro de um plano de R$ 2 bilhões entre 2021 e 2025, dos quais metade já foi desembolsado com tecnologias que incluem a adaptação dos modelos da marca à nova legislação brasileira de emissões de poluentes Proconve P-8, que entra em vigor em janeiro de 2023 e é equivalente às normas europeias Euro 6.

“Boa parte do investimento, 70% do R$ 1 bilhão, foi para (as regras de) emissões e melhoria da produtividade (dos caminhões)”, disse o presidente da Volkswagen Caminhões e Ônibus. Segundo ele, os novos modelos da marca que começam a ser produzidos para atender às novas regras brasileiras serão 10% mais eficientes que modelos atuais.

“Vamos substituir os nossos 30 modelos de caminhões por uma linha Euro 6”, afirmou o executivo citando os lançamentos desta terça que cumprem a nova legislação ambiental mais restritiva.

Sobre a metade restante do plano de investimento, Cortes comentou que a companhia vai continuar dedicando recursos aos modelos eletrificados e melhoria de performance e conectividade, incluindo novos caminhões e ônibus elétricos, além da tecnologia de direção autônoma.

Questionado sobre as expectativas para 2023, Cortes afirmou que o ano não deve ser marcado por impactos de antecipação de compras de veículos ocorrida em anos anteriores, quando houve mudanças na legislação de emissões de poluentes.

Isso ocorre por causa da escassez de componentes que tem restringido a produção, disse o executivo. “Diferente de outros ‘euros’, o próximo ano deve ser um ano normal de pedidos”, disse. Ele lembrou ainda o programa de renovação de frota de caminhões sancionado pelo governo federal neste mês, que pode dar um ânimo maior para as vendas de novos no próximo ano.

Segundo Cortes, a oferta de componentes e mesmo de transporte de suprimentos “melhorou consideravelmente” nos últimos meses, mas esse quadro ainda não está estabilizado.

Alberto Alerigi Jr.


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