Investimento

Shree Renuka vende parte da empresa na Índia para a Wilmar


Valor Econômico - 24 fev 2014 - 08:06

A companhia indiana Shree Renuka Sugars, a maior produtora de açúcar da Índia e com quatro usinas de cana no Brasil, anunciou que vai vender parte da empresa para a trading de Cingapura Wilmar Internacional. O acordo, segundo a companhia, pode facilitar a injeção de aproximadamente US$ 200 milhões na empresa, que vinha sendo penalizada com um elevado endividamento, parte dele, decorrente da aquisição de usinas no Brasil.

A capitalização pode ser feita em duas etapas, segundo informou a Shree Renuka Sugars em comunicado na bolsa de Mumbai, onde negocia suas ações. Num primeiro momento, o acordo envolveria um aporte de até 5,170 bilhões de rúpias indianas (US$ 83,2 milhões) pela subsidiária Wilmar Sugar Holdings (WSH), o permitiria à empresa de Cingapura ficar com até 27,5% de participação na indiana, com a compra de 257 milhões de ações, ao preço de 20,08 rúpias (US$ 0,32) por papel. Pelas diretrizes do acordo, haverá também uma oferta aberta para Wilmar e os fundadores da indiana, grupo liderado pelo empresário indiano Narendra Murkumbi, por até 26% da Shree Renuka pelo preço de 21,89 rúpias (US$ 0,35) por ação.

Num segundo momento do acordo, a Wilmar e os fundadores da Shree Renuka participariam conjuntamente do direito de subscrição para levantar até 7,254 bilhões de rúpias (US$ 116,76 milhões) para a Shree Renuka Sugars.

O acordo prevê que a companhia indiana poderá ser controlada pelos fundadores e a Wilmar, com ambas as partes mantendo igual participação e representação no conselho da Shree Renuka. "Os fundadores vão continuar na administração da companhia com a Wilmar, sendo ativamente envolvido nas decisões estratégias", informou a Shree Renuka em comunicado.

Segundo a empresa, os recursos levantados na operação podem ser usados para pagar débitos existentes da Shree Renuka, na Índia. "Como investidor estratégico, os acionistas da Wilmar e a injeção de capital vão fortalecer as finanças da companhia e a posição do negócio e também prover uma plataforma de crescimento".

A Shree Renuka Sugars opera 11 usinas com capacidade total de processamento de 20,7 milhões de toneladas de cana-de-açúcar por ano e ainda duas refinarias de açúcar em portos, com capacidade para 1,7 milhão de toneladas por ano. No Brasil, detém o controle de quatro usinas, sendo duas no Paraná e duas no Estado de São Paulo, adquiridas em 2009.

A Wilmar é a companhia com o maior valor de mercado da bolsa de Cingapura (US$ 17 bilhões) e teve em 2013 receita líquida de US$ 44,1 bilhões, e lucro de US$ 1,3 bilhão. Seu negócio inclui cultivo de palma, processamento de oleaginosas, produção e refino de açúcar, biodiesel e processamento de grãos.

Os investimentos da Wilmar em açúcar incluem ativos na Austrália, na Nova Zelândia e na Indonésia, com 17 milhões de toneladas de capacidade de processamento de cana e 1,98 milhão de toneladas de capacidade de refino. A Wilmar tem uma participação de 27,5% da refinaria Cosumar, em Marrocos, que tem capacidade para 1 milhão de toneladas anuais.

Na Austrália, a Wilmar é a maior processadora de cana, com uma capacidade anual de 17 milhões de toneladas. A multinacional produz 2 milhões de toneladas de açúcar bruto por ano. A Wilmar tem cinco refinarias — Austrália, Nova Zelândia, Indonésia — e na Indonésia, é um dos maiores players no segmento, com duas refinarias.

Fabiana Batista