Investimento

Plano Safra pode incentivar produtores menores de biogás


Money Times - 25 jun 2021 - 08:00

Como parte do Plano Safra 2021/22, o governo resolveu destinar financiamentos subsidiados de até R$ 20 milhões para projetos em biogás e biometano. Os recursos fazem parte do pacote orçamentário chamado de Plano ABC, com um total de R$ 5 bilhões, e alcançam também outros modelos de sustentabilidade, como produção de bioinsumos e biofertilizantes.

No total, o Plano Safra destinará R$ 251,2 bilhões em suas várias linhas de fomento.

Do ponto da produção de energia elétrica a partir do biogás (produzido a partir de biomassas) e do seu derivado biometano – também utilizado como biocombustível –, membros da Associação Brasileira do Biogás (ABiogás) acreditam que a nova política pode ser uma “divisora de águas”.

Desde a base mínima ao teto de R$ 20 milhões por projeto – com possibilidade de ser coletivo, ou seja, um consórcio de produtores, por exemplo –, pode-se chegar a uma planta de 0,5 MW a 3 MW, resume o presidente da entidade, Alessandro Gardemann.

Uma planta deste porte também produz, em média, 3 mil litros de biocombustível diários.

Estes investimentos podem abrir um leque de opções para uma camada de produtores que está longe de explorar todo o potencial do biogás e do biometano: as usinas sucroenergéticas. Até o momento, o setor viu apenas projetos grandes, como o da Raízen, que inclusive contou com a participação da empresa de Gardemann, a Geo Energética.

Do ponto de vista técnico, há poucos matérias-primas que não se prestam para esse serviço, que agrega melhores condições ambientais. Ainda assim, a sucroenergia responde por quase 50% do potencial energético do biogás e do biometano; já a proteína animal fica com 29,8%; a produção agrícola corresponde a 15%; e, por fim, o saneamento básico tem potencial para 6%.

Alessandro Gardemann acredita no setor de suínos e de frigoríficos, cujos rejeitos podem virar mais energia, e também vê potencial na mandioca e na laranja, mas o leque é bem maior. Naturalmente, porém, o que manda é a escala da biomassa e quantidade de sobras para ser decompostas em biogás.

Giovanni Lorenzon