Investimento

Novos investimentos sinalizam recuperação na indústria brasileira de etanol


Reuters - 28 out 2015 - 17:49

Uma perceptível melhora no retorno das vendas domésticas e no exterior está desencadeando a primeira grande onda de investimentos – em quase uma década – na indústria brasileira de etanol, que a tempos luta contra uma crise no setor. Agora, pelo menos nove empresas estão em expansão.

Cargill, Odebrecht e Raízen estão entre as maiores empresas que investiram em expansão nos últimos meses, mesmo com um quadro econômico nacional desfavorável, que inclui a pior recessão em mais de uma década.

A princípio, a desvalorização do Real melhorou as margens do etanol brasileiro no exterior. Além disso, os recentes aumentos dos preços de refinaria feitos pela Petrobras e os impostos sobre a gasolina têm impulsionado a demanda doméstica pelo biocombustível em níveis recordes.

A Usina Rio Verde, proprietária de uma unidade de médio porte em Goiás, afirmou que irá dobrar sua produção de etanol nos próximos dois anos com o objetivo de atender a uma demanda crescente pelo biocombustível.

Quando estiver concluída, a expansão da Rio Verde corresponderá a apenas uma pequena parte da capacidade total da produção brasileira. Ainda assim, este e outros projetos são o sinal mais forte até o momento de que o etanol teve uma virada depois que os subsídios governamentais aos preços da gasolina já não puderam mais ser sustentados.

"As perspectivas para o etanol melhoraram, mesmo que a economia em geral pareça mais difícil", disse o gerente de operações da Usina Decal, da Rio Verde, Luis Galán.

No início deste ano, a Rio Verde começou a investir em sua nova unidade produtora de etanol, com capacidade para 180 mil litros por dia. Eles serão somados a atual capacidade da empresa, que corresponde a 300 mil litros por dia.


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Uma segunda fase dos investimentos, a ser concluída em 2016 ou 2017, deve somar mais 190 mil litros diários. A capacidade final de 670 mil litros representaria 0,5% da capacidade brasileira total de produção de etanol, que corresponde atualmente a 115 milhões de litros.

Obviamente, muitas das 360 usinas brasileiras não estão em posição para começar a construção de novas plantas industriais, pois ainda lutam com uma sufocante dívida acumulada ao longo da última década. Boa parte das empresas permanece descrente de que o governo tenha abandonado a prática de suprimir os preços dos combustíveis para conter a inflação, o que ajudou a tirar quase 80 usinas de funcionamento nos últimos anos.

Entretanto, o governo está rapidamente ficando sem maneiras de substituir as receitas que estão caindo devido à crise econômica que se acentua. Isso faz com que aumentos adicionais de impostos sobre a gasolina se tornem mais prováveis, o que reforçaria a vantagem do etanol nas bombas dos postos de combustíveis.

"O setor está finalmente tendo uma virada", disse o diretor de agronegócio do banco de investimentos Itaú BBA, Alexandre Figliolino.

Reese Ewing – Reuters
novaCana.com: tradução, adaptação e informações complementares


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