Investimento

Jalles Machado corta todos os investimentos previstos por conta da pandemia


RPA News - 25 jun 2020 - 16:24

Mesmo com boas expectativas de produção para esta safra, a usina Jalles Machado acabou cortando todos os investimentos por conta da pandemia de covid-19. Segundo o diretor-presidente do Grupo Jalles Machado, Otávio Lage, a companhia aguarda a evolução da situação para tomar outras medidas.

“A Jalles Machado sempre se preocupou em fazer planejamento estratégico, análise de riscos e trabalhar com um caixa robusto. Neste momento, priorizamos ainda mais o caixa para poder enfrentar a situação pelos próximos 24 meses”, explica.

A empresa vê o cenário de 2020 como um ano de redução de PIB acima de 5%. Consequentemente, a redução da atividade econômica deve gerar desemprego, redução de impostos e diminuição do consumo, o que afetará os setores industrial, comercial e de serviços.

“É preciso que os governos federal e estadual reduzam a carga tributária das empresas neste momento de crise para que elas possam sobreviver e voltar a gerar empregos”, acrescenta.

Safra em andamento

Devido às chuvas que ocorreram até maio, a companhia estima que a produtividade será maior neste ano. A expectativa é que sejam moídas 5,2 milhões toneladas de cana até novembro – 200 mil toneladas a mais do que a previsão inicial, feita em janeiro. Em 2019, a Jalles Machado fechou a safra com a moagem de 5,1 milhões de toneladas.

Na empresa, a safra da cana-de-açúcar começou no início de abril. Otávio Lage revela que não foi constatado qualquer impacto no ritmo da colheita devido ao surto de coronavírus.

“A empresa está tomando várias medidas, desde março, para prevenir o contágio e garantir a saúde e segurança dos colaboradores. Esperamos que possamos continuar produzindo. Todavia, isso vai depender de como a pandemia irá evoluir em Goianésia e no Estado de Goiás”, explica.

Etanol e açúcar

Quando o assunto é etanol, a Jalles Machado afirma que pretende vender o biocombustível ao longo da safra, acelerando ou diminuindo as vendas de acordo com a evolução dos preços. Hoje, a capacidade de estocagem da companhia é de 145 milhões de litros de etanol.

Devido à pandemia, houve diminuição significativa do consumo de etanol e, consequentemente, das vendas. Lage explica que isso faz com que as usinas tendem a produzir mais açúcar.

A usina ainda conta com uma margem para flexibilização da produção, por conta do processo industrial. “No caso do Grupo Jalles Machado, o mix de produção para esta safra será 48% açúcar e 52% etanol. Na safra passada, o mix foi de 61% etanol e 39% açúcar; então, adequamos para produzir mais açúcar este ano”, relata.

Nas duas unidades, a estimativa é de que a produção chegue a 223 milhões de litros de etanol e 338.263 toneladas de açúcar. O adoçante, aliás, já tem mais de 75% de seu preço fixado. Além disso, 70% do açúcar para 2021/22 e 10% do volume de 2022/23 também já foram preestabelecidos.

Alisson Henrique e Natália Cherubin

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