Investimento

Fundo adquire fatia em 4ª usina e conclui fase de investimentos


Valor Econômico - 07 dez 2012 - 08:12 - Última atualização em: 29 nov -1 - 20:53
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"As usinas têm resultado operacional de 30% do faturamento líquido. A meta é atingir 35%", afirma Casagrande (à esq.)

Criado em 2008 para investir em projetos de etanol, o fundo de private equity FIP Terra Viva, administrado pela DGF Investimentos, concluiu nesta semana sua etapa de investimentos, que durou quatro anos. Comprou, por R$ 70 milhões, uma participação minoritária na usina mineira Alvorada, com capacidade para moer 1,77 milhão de toneladas de cana-de-açúcar por safra.

A unidade, com sede em Araporã, na divisa com Goiás, receberá investimentos de outros R$ 160 milhões da CPFL Energia para instalar uma unidade de cogeração de energia com biomassa de 50 megawatts (MW) de capacidade. Com os dois aportes, que somam R$ 230 milhões, a Alvorada, que teve assessoria financeira da consultoria FG Agro, também será ampliada para processar 2 milhões de toneladas de cana.

O fundo não divulga a exata participação acionária que detém nas usinas. Mas a estratégia é a de que não seja menor do que 30% e nem superior a 45%. Duas delas estão localizadas em São Paulo - Bocaina e Brotas -, outra em Mato Grosso do Sul (Maracaju) e a recém-adquirida, em Minas Gerais (Araporã), no Triângulo Mineiro.

Com essa aquisição, o FIP Terra Viva finaliza sua fase de investimentos, que totalizaram R$ 260 milhões em participações minoritárias em quatro usinas, que juntas têm condições de moer 10 milhões de toneladas. A expansão de uma delas está em curso para elevar esse processamento conjunto para 11,5 milhões de toneladas.

Passados os quatro anos, o fundo construiu uma carteira de ativos muito mais açucareira do que alcooleira, tendência que se consolidou nos últimos anos no Brasil após o mergulho do mercado de biocombustíveis em preços baixos e incertezas. Na média, as quatro usinas nas quais a DGF tem participação destinam 55% do caldo da cana para produção de açúcar e, o restante, para etanol.

Agora, o FIP entra na fase de saída do negócio e entrega de resultado aos oito cotistas, a maior parte fundos de previdência, como a Petros, Banesprev (Santander) e Previ. Essa fase pode durar o tempo regulamentar acordado pelo fundo com cotistas, de até quatro anos, ou ser estendido por mais dois.

O plano inicial era colocar as usinas debaixo de uma Sociedade Anônima (S.A.) e levar a companhia resultante à abertura de capital em bolsa. Neste momento, o fundo considera quatro alternativas para vender sua participação no pool de usinas, explica Sidney Chameh, sócio-fundador da DGF Investimentos. A primeira é a fusão com outro grupo para aumentar a envergadura da S.A. para, aí sim, abrir o capital. Outra alternativa é acessar a bolsa no Bovespa Mais, segmento de listagem para companhias de menor porte. A terceira opção estudada é a venda das usinas em bloco, caso juntas agreguem valor, e a quarta, negociá-las separadamente.

"Dependendo da alternativa escolhida, poderemos ter um resultado maior ao cotista", diz Chameh. Em seu lançamento, há quatro anos, o fundo previa um retorno de cerca de 18% ao ano. Passada a catástrofe climática que afetou os canaviais, a meta tornou-se incerta. "Já vivemos fases piores nas quais temíamos por essa rentabilidade. Agora, ao concluir o investimento e olhar a qualidade da carteira, estamos mais confiantes", afirma Chameh.

Ele se refere à maré baixa pela qual vem atravessando o setor sucroalcooleiro nos últimos quatro anos. Além da conjuntura mundial, essa indústria passou por sucessivos problemas climáticos que derrubaram a produtividade dos canaviais. Por conta desses fatores e da própria dificuldade financeira que já traziam antes da crise, as usinas sócias do FIP não registram lucro há algumas safras e não devem fechar no azul também nesta temporada, que se encerra em março de 2013. "Até agora, a fase foi de ajustes. Com a dívida alongada, gestão financeira e de riscos, elas tendem a resultados positivos em 2013/14", diz Casagrande.

Ele menciona que o resultado operacional das empresas, cuja demanda por matéria-prima é atendida em mais de 60% por canaviais próprios - é positivo e com expressivo potencial de crescimento. "Na média, as quatro usinas têm resultado operacional de 30% do faturamento líquido. A meta é atingir 35%", afirma Casagrande.

Fabiana Batista
Foto: Luis Ushirobira/Valor