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Investimento

Divisão de açúcar e etanol da Raízen não terá expansão


O Estado de S. Paulo - 24 mar 2014 - 08:00

Enquanto a divisão de distribuição de combustíveis da Raízen passa por um período de expansão, o negócio de açúcar e álcool da companhia (Raízen Energia) não deverá receber investimentos para ampliação de novos projetos.

Ainda não há sinais claros de recuperação desse setor. As usinas de açúcar e etanol passam por um momento difícil - uma parte delas está em recuperação judicial e outras buscam alternativas para reduzir seu alto endividamento, contraído, sobretudo, entre 2003 e 2008, fase de expansão do segmento. "Não deveremos fazer qualquer movimento de expansão nesse setor", disse uma fonte do grupo ao Estado.

Mesmo sem planos para expandir no curto prazo, a Raízen Energia, com 24 usinas, segue líder em moagem de cana, com capacidade de 66 milhões de toneladas por ano, mais que o dobro de seus concorrentes. Essa divisão também inclui os negócios de cogeração de energia a partir do bagaço e etanol de segunda geração, que já vinha sendo explorado pela Shell.

A receita líquida da Raízen Energia no terceiro trimestre da safra 2013/14 (de abril a março) encerrou em R$ 2,1 bilhões, queda de 18,4% sobre o mesmo período do ciclo anterior. No consolidado dos nove meses, a receita líquida soma R$ 6,85 bilhões, aumento de 12%.


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Diversificação
Desde que decidiu diversificar seus negócios, a partir de 2008, com a compra da Esso, o grupo Cosan (que detém 50% da joint venture na Raízen), busca reduzir a exposição de seus negócios em commodities. A divisão de combustíveis (Raízen Combustíveis) responde por mais de 80% do faturamento do grupo, que também está em negociações para ser o controlador da América Latina Logística (ALL). O grupo também controla a Rumo, Radar (terras), Comgás, além de negócios na área de lubrificantes.

A Raízen Combustíveis encerrou o terceiro trimestre com faturamento líquido de R$ 13,1 bilhões, aumento de 14,8% sobre o mesmo período do ano passado. No acumulado dos nove meses, a receita ficou em R$ 37,58 bilhões, alta de 15,3% sobre os nove meses do ano anterior.

O mercado acompanha atento o acordo da ALL-Rumo. Desde o início do ano, os papéis da ALL registram forte valorização, mas as ações da Cosan não acompanham a alta. "O acordo para ALL é mais vantajoso", diz uma analista.

Mônica Scaramuzzo