Investimento

BNDES comprova a crise nos investimentos do setor sucroalcooleiro


novaCana.com - 15 mar 2013 - 08:15 - Última atualização em: 15 mar 2013 - 10:46

Poucas instituições no Brasil estão tão bem posicionadas para saber com propriedade para onde as empresas estão direcionando seus investimentos. O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) certamente está entre elas. Os técnicos do banco aproveitaram a posição privilegiada que a empresa pública possui para fazer uma ampla pesquisa sobre o assunto. E o setor sucroalcooleiro foi um dos destaques, porém não da forma como o setor produtivo gostaria.

A pesquisa do BNDES, publicada no início do mês, comprovou o que o setor de etanol já vem alertando há tempos. Mantendo-se o cenário atual, os próximos quatro anos devem ser de investimentos mínimos por parte do setor sucroalcooleiro. Enquanto o quadriênio 2008-2011 marcou um período de grandes aportes do setor, com um volume financeiro aplicado de R$ 47 bilhões, o ano de 2013 abre um quadriênio de muita cautela, com drástica redução nos valores. Segundo a pesquisa, as perspectivas indicam que apenas R$ 5 bilhões serão investidos entre 2013 e 2016. O recuo equivale a 90,2% na comparação entre os períodos e está na contramão da expectativa de aportes da maioria dos segmentos revelados pelo banco.

O panorama das diversas áreas mostra que este quadriênio terá um salto de 29% no volume investido, passando de R$ 2,951 trilhões para R$ 3,807 trilhões. "Espera-se um crescimento de quase 30% em comparação ao quadriênio 2008-2011", diz o relatório. De fato, entre os 19 setores de indústria e infraestrutura que tiveram as projeções especificadas, apenas três registram expectativa de menor investimento e, mesmo assim, a indústria de etanol é a que mais perde percentualmente. Nos setores de extração mineral e de siderurgia, que também devem vivenciar um encolhimento dos valores, a redução estimada é de -15,1% e -21,4%, respectivamente.

As perspectivas de investimento do setor de etanol e cana. Comparativo com os demais setores
As baixas seriam explicadas pela desaceleração dos segmentos após períodos de forte investimento. Em relação ao setor sucroenergético, o mapeamento feito pelo BNDES não localizou projetos significativos. Além do alto nível de endividamento de algumas empresas, o momento é de contenção e redução da alavancagem, conforme diagnosticou a instituição bancária. A respeito dos dados, é notável que boa parte do forte investimento do período anterior foi viabilizado pelo próprio BNDES, que no quadriênio 2008-2011 desembolsou R$ 29,1 bilhões em financiamentos para o setor, o que significa 61,9% do total aplicado.

A variável pré-sal

Outra comprovação presente na pesquisa do BNDES é justamente uma sobre a qual o governo não se sente muito à vontade em conversar. A polêmica de que o pré-sal faria o interesse pelos biocombustíveis diminuir na Esplanada dos Ministérios ganhou reforço com o resultado dessa pesquisa do BNDES.

A indústria de petróleo e gás deverá ter um salto de 46,8% em investimentos. No quadriênio 2008-2011 foram aplicados R$ 276 bilhões, a partir deste ano devem alcançar nada menos que R$ 405 bilhões, boa parte na estatal Petrobras. "Do valor a ser investido pelo setor, destacam-se os recursos destinados ao desenvolvimento da produção no pré-sal e à construção de sondas de perfuração em estaleiros nacionais", detalha o próprio BNDES. A área é apontada como um dos destaques, "responsável por 11% do total do levantamento, bem como infraestrutura e serviços de transporte, que puxam o ritmo de crescimento do investimento".

O cenário não considerado pelo BNDES

A pesquisa levantou apenas as perspectivas de investimentos atuais e, portanto, não considera mudanças de políticas públicas ou situações que destravarão os investimentos. Para o setor sucroalcooleiro, a perspectiva mais promissora é um pacote de incentivos ao etanol que estaria praticamente concluído dentro dos ministérios. O principal item comentado até agora é a redução no PIS/Cofins. Isto logo após o reajuste no preço da gasolina e o anúncio do retorno da mistura de etanol para o patamar de 25%. Medidas importantes que estavam sendo ansiosamente aguardadas pelo mercado. Além disso tivemos uma recente declaração pública da presidente Dilma Rousseff valorizando o papel do etanol.

No entanto, diversos representantes do setor já afirmaram que as medidas adotadas até agora e esta redução de PIS/Cofins não serão suficientes para que o Brasil vivencie um novo ciclo de investimentos na cana-de-açúcar.

O arquivo com a pesquisa do BNDES pode ser acessado aqui.

Amanda SchArr - novaCana.com