Financeiro

Zilor registra receita líquida de R$ 754,6 mi no 1º trimestre de 2021/22, alta anual de 41%

Resultados refletem implementação de diversas ações combinadas com melhores preços das commodities e com superação dos desafios climáticos


Zilor - 30 ago 2021 - 15:11

A Zilor, que controla três usinas sucroenergéticas localizadas em São Paulo, apresentou os resultados financeiros referentes ao primeiro trimestre da safra 2021/22. O crescimento expressivo das receitas com etanol e açúcar gerou um incremento safra a safra de 41% na receita líquida consolidada da empresa, atingindo R$ 754,6 milhões. O lucro líquido somou R$ 197,4 milhões versus os R$ 5,2 milhões do mesmo período do ciclo anterior – ampliação de 3.731,9% – com margem líquida de 26%.

Segundo a empresa, os números foram impulsionados pelo acréscimo expressivo de 105% no preço do etanol. O produto foi impactado, principalmente, pelo aumento do preço do petróleo em razão de uma expectativa de retomada na economia em países mais desenvolvidos e da vacinação contra covid-19 em fase avançada.

Ainda de acordo com a Zilor, o incremento da receita foi marcado também pelo aumento da demanda de açúcar, gerada por contratos firmados. Além disso, o preço do adoçante teve um crescimento de 33% em relação ao mesmo momento da temporada passada.

No período, a Zilor processou 3,9 milhões toneladas de cana, 0,9% abaixo do primeiro trimestre de 2020/21. Em virtude dos desafios climáticos, a produtividade da companhia caiu 8% se comparada a um ano antes.

Embora o déficit hídrico tenha impactado na produtividade, ele também contribuiu para o aumento da concentração de sacarose da cana (ATR), que registrou um crescimento de 1,7%, atingindo 134,1 quilogramas por toneladas.

De acordo com a Zilor, o destaque foi da unidade de Quatá (SP). Mesmo com queda de 3,6% na produtividade, a usina registrou ATR de 134,1 kg/t, aumento de 5,4% em relação ao primeiro trimestre do ciclo passado. Conforme a Zilor, isso foi resultado dos investimentos na produção de cana própria, direcionados ao ganho de produtividade agrícola.

No trimestre, a companhia manteve investimentos em plantio de cana e aumentou os direcionados aos tratos culturais, como parte de uma estratégia de incremento nos aportes em ativo biológico para ganho de produtividade, com capex total de R$ 78,9 milhões, ampliação de 5% comparado com o mesmo período da safra passada.

Resultado financeiro

O etanol e o açúcar foram os grandes destaques do resultado financeiro da Zilor no primeiro trimestre da safra. O biocombustível apresentou receita de R$ 328 milhões, aumento de 105% em relação ao primeiro trimestre do ciclo anterior, em razão do crescimento de 5% no volume de vendas associado ao aumento significativo de 96% do preço do produto. Já a receita de açúcar registrou aumento de 45% no comparativo com o ano anterior, com receita líquida de 221,8 milhões.

Já a receita líquida com energia elétrica atingiu R$ 27,8 milhões, aumento ano a ano de 7%, devido a maior disponibilidade de biomassa e maior volume de energia exportada. Além disso, o produto também foi comercializado a melhores preços médios, com R$ 218 por megawatt-hora, ante os R$ 212,7/MWh do primeiro trimestre de 2020/21.

A unidade de negócios Biorigin, divisão de ingredientes naturais da Zilor, registrou um aumento na produção de 14% em relação ao mesmo período da safra anterior. Entretanto, a receita líquida teve uma redução de 11% no mesmo comparativo, somando R$ 175,4 milhões. Os negócios foram impactados pela desvalorização do dólar frente ao real no comparativo safra a safra e pela escassez de logística marítima e aérea para realização de entregas de exportação.

O Ebitda ajustado (que mede o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização, além de considerar especificidades do negócio) subiu 62% no período, totalizando R$ 347,2 milhões, com margem de 46%, resultado da melhoria operacional e consistente geração de caixa, com fortalecimento da gestão financeira da companhia.

A dívida líquida da Zilor reduziu 17% em 12 meses, com saldo de R$ 1.676,3 milhões em 30 de junho de 2021. Também houve desalavancagem, saindo de um indicador de dívida líquida por Ebitda ajustado de 3,1 vezes em junho de 2020 para 1,9 vezes em junho de 2021.

Segundo o diretor financeiro da companhia, Marcos Arruda, o período apresenta um cenário importante para a construção de resultados da safra 2021/22, marcada por números expressivos no comparativo anual. “Essa trajetória demonstra o avanço da eficiência operacional, combinados com diversas ações de melhoria implementadas ao longo dos últimos três anos e manutenção da disciplina na gestão de custos e despesas, que resultou na redução expressiva da alavancagem e aumento na posição de caixa”, destacou.

Leilão de energia elétrica

Em julho, a Zilor participou do leilão de energia nova A-3. Na ocasião, a companhia obteve o direito de comercialização de 169,07 mil MWh ao ano, com o projeto UTE Barra Grande 2.

A energia será comercializada pelo valor aproximado de R$ 188/MWh, com reajuste anual pelo IPCA. O contrato de venda de energia, divulgado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), terá prazo de 20 anos, com início das operações em abril de 2024 e com investimento previsto de R$ 250,1 milhões, a serem desembolsados nos próximos três anos.

Com esse projeto, o volume de energia vendido no leilão representa um crescimento de aproximadamente 30% na atual cogeração da companhia, contribuindo para diversificação dos negócios e maior previsibilidade na geração de caixa.

O diretor-presidente da Zilor, Fabiano Zillo, destaca que as medidas adotadas no decorrer do período resultaram na receita expressiva combinada com preços interessantes de mercado. “As ações permitiram ainda a conquista do projeto de expansão na produção de energia elétrica na unidade Barra Grande, com investimentos da ordem de R$ 250 milhões, que trarão benefícios de modernização para todo o parque industrial, permitindo ampliar ainda a diversificação de receitas”, afirma.

Financiamento de Parceiros Agrícolas

Em junho de 2021 a Zilor lançou o Programa de Financiamento de Parceiros Agrícolas, ação de fomento e financiamento direcionado aos parceiros da companhia. O programa, viabilizado em conjunto com o banco BTG Pactual por meio de Fundo de Investimento em Direitos Creditórios (FIDC), contou com a captação de R$ 120 milhões que serão direcionados ao financiamento das atividades de produtores rurais parceiros.

De acordo com a companhia, a iniciativa visa facilitar o acesso ao crédito, oportunizando o aumento da produtividade, com taxas de financiamento balizadas pela produtividade e qualidade da cana-de-açúcar. O lançamento do programa teve adesão de 65% dos parceiros da Zilor.