Financeiro

Votação de novo plano de recuperação judicial do Grupo Moreno é adiada pela quarta vez

A princípio, companhia pediu um mês para apresentar um novo plano; discussões foram suspensas até quarta-feira


novaCana.com - 29 set 2020 - 10:04 - Última atualização em: 30 set 2020 - 08:03

Em reunião realizada nesta segunda-feira (28), os credores do Grupo Moreno – que controla três usinas em São Paulo – optaram por protelar a votação de um novo plano de recuperação judicial. Conforme decisão majoritária, as discussões devem ser retomadas na quarta-feira (30), às 15h.

Este é o quarto adiamento na votação, tendo sido motivado por conta de um impasse entre a companhia e os credores. A proposta inicial era da sucroenergética envolvia a realização de novas mudanças em seu plano de recuperação judicial, que deveriam ser protocoladas até 28 de outubro e seguidas por uma nova assembleia, em 13 de novembro.

Conforme apresentação feita durante a assembleia pela diretora da BR Partners, Fernanda Gonzalez, o plano até então em análise previa a venda das unidades do grupo localizadas em Luís Antônio (SP) e Monte Aprazível (SP) – a segunda, aliás, foi incluída na mais recente alteração. Restaria, então, apenas a usina Coplasa, de Planalto (SP).

As plantas possuem capacidade de moagem anual de 3,2 milhões, 2,2 milhões e 3,3 milhões de toneladas de cana, respectivamente. Além disso, haveria um interesse dos bancos credores na venda imediata da usina de Luís Antônio.

Porém a percepção da companhia é de que não haveria adesão suficiente para a aprovação do plano. “Credores relevantes ainda não concordaram com a proposta que foi formulada”, apontou a advogada Fabiana Solano, da Felsberg Advogados, que ressalta que as negociações acontecem “muito intensamente” e diariamente.

“No final da semana passada, nós nos deparamos com um impasse”, relata e continua: “A assessoria financeira está se desdobrando para que a gente consiga chegar a uma solução definitiva”.

Desta forma, o objetivo do adiamento é apresentar um plano que seja considerado satisfatório para a maioria dos credores e que permita a continuidade das atividades da companhia. “Esse é o objetivo maior dessa recuperação judicial”, reforça Solano.

Os fatores que levaram ao impasse com os credores, entretanto, não foram revelados.

Em uma reunião anterior, realizada no começo de setembro, a proposta que envolvia apenas a venda da unidade em Monte Aprazível não foi aceita pelos bancos, que representam uma parcela significativa dos credores da Moreno. Na ocasião, o Santander sugeriu que fosse realizada a venda das duas maiores unidades – em Luís Antônio e Planalto –, o inverso do proposto pelo grupo.

Segundo manifestação do produtor rural Donaldo Paiola, representante dos fornecedores e arrendatários da Moreno, o grupo Cofco teria interesse nas unidades. Atualmente, a Cofco controla quatro usinas em São Paulo.

O Grupo Moreno entrou em recuperação judicial há um ano, após ficar inadimplente com bancos e fornecedores de cana. De acordo com informações do Valor Econômico, aproximadamente 40% da matéria-prima das usinas é adquirida com terceiros.

Na ocasião, acreditava-se que o processo poderia facilitar a venda de unidades. “Comprar uma usina por meio de uma UPI [Unidade Produtiva Isolada] é muito melhor porque não tem nenhuma sucessão, nenhuma responsabilidade”, afirma uma fonte consultada pelo novaCana, que pediu para não ser identificada.

Alguns meses antes, o Grupo Moreno havia contratado a consultoria Czarnikow justamente com o objetivo de encontrar compradores para as usinas e levantar recursos para quitar parte das dívidas.

As dificuldades financeiras da companhia, aliás, já se arrastavam por alguns anos. Em 2016, por exemplo, o grupo assinou um acordo com credores, obtendo 18 meses de carência para negociar condições do alongamento da dívida que totalizava R$ 1,5 bilhão até então. Naquele momento, já era considerada a possibilidade de venda de ativos ou de participação na empresa.

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