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Financeiro

Usinas têm melhores margens operacionais


Valor Econômico - 19 fev 2013 - 07:48 - Última atualização em: 29 nov -1 - 20:53
Grafico: balanço financeiro das usinas de etanol
Alguma recuperação na produtividade dos canaviais e maior ênfase na produção de açúcar e etanol anidro (misturado à gasolina), em detrimento do hidratado (usado diretamente nos tanques dos veículos), ajudaram a sustentar as margens das companhias sucroalcooleiras com ações na BM&FBovespa no terceiro trimestre desta safra 2012/13, encerrado em 31 de dezembro.

A maior receita com as vendas de eletricidade - cujos preços no mercado livre alcançaram patamares recordes nos últimos meses - também pesaram positivamente sobre margens das empresas, principalmente nos casos de Raízen Energia e Guarani, que estão melhor posicionadas nessa área.

Líder do segmento, a Raízen Energia, controlada por Cosan e Shell, registrou no terceiro trimestre um lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) de R$ 833,7 milhões, 66% maior que em igual intervalo da temporada anterior (2011/12). A margem Ebitda avançou três pontos percentuais, para 32%, e ficou em 32,9% nos nove primeiros meses do exercício, ante 28,8% no mesmo período do ciclo anterior.

Com investimentos na renovação de canaviais, a empresa elevou sua moagem de cana-de-açúcar em 6% na temporada atual e incrementou as produções de açúcar e etanol anidro em 4,9% e 21%, respectivamente. De forma geral, esses aumentos compensaram a queda das cotações do açúcar. Apesar de seu preço médio de venda da commodity ter sido 0,8% menor (R$ 1,026 mil por tonelada), a receita da Raízen Energia com o produto subiu 41% no terceiro trimestre.

O faturamento com etanol subiu 26%, mas o maior salto no período veio da comercialização de energia gerada a partir do bagaço da cana, que saiu de R$ 53 milhões para R$ 321 milhões na comparação entre os terceiros trimestres.

Neste último trimestre da safra, que se encerrará em 31 de março, a Raízen Energia terá volumes maiores de etanol e açúcar para vender. No primeiro caso, deverão ser 680 milhões de litros, ante 445 milhões no mesmo período de 2011/12; no segundo, 1,29 milhão de toneladas, ante 871 mil disponíveis em estoque ao fim do terceiro trimestre do ciclo passado.

No entanto, a empresa informou em seu balanço que o quarto trimestre da safra deve trazer preços médios 7,2% menores para o açúcar (R$ 693 por tonelada) e 5,7% inferiores para o etanol (R$ 1,128 mil por metro cúbico).

Como já indicavam analistas, o "mergulho" das cotações do açúcar tende a pressionar as margens das usinas, que tendem a tentar maximizar a fabricação de biocombustível no próximo ciclo. Para 2013/14, a Raízen Energia, informou ter, em 31 de dezembro, 750 mil toneladas de açúcar com hedge ao preço médio de 21,95 centavos de dólar por libra-peso - ante 22,57 centavos de dólar por libra-peso da safra 2012/13. Quase metade desse volume para 2013/14 (381 mil toneladas) tinha hedge cambial a R$ 2,1654.

A São Martinho, por sua vez, confiou na ampliação de sua produção de anidro para sustentar as margens no terceiro trimestre da safra. Apesar do preço médio 3,8% menor em relação a igual intervalo do ciclo anterior, a receita da companhia com anidro no trimestre cresceu 47,9% em decorrência de um aumento de 53,7% no volume comercializado.

Assim, mesmo com um volume vendido de açúcar 12% menor no trimestre, a companhia conseguiu, com as maiores vendas do biocombustível, um Ebitda ajustado 4,4% maior, de R$ 161 milhões, e uma margem Ebitda 0,2 ponto percentual mais elevada, de 40,8%. No acumulado dos nove meses da safra, a São Martinho sustentou a margem em 40,9%, uma queda de 1,1 ponto percentual em relação ao realizado em igual intervalo da safra anterior.

Como optou por vender um volume menor de açúcar no terceiro trimestre, justamente para captar melhores preços no trimestre seguinte, a empresa, que ontem teve um investimento de R$ 48,2 milhões em sua unidade de Pradópolis (SP) aprovado pelo seu conselho de administração, espera apresentar resultados mais expressivos nos últimos três meses da atual temporada.

Ainda resta à empresa vender 270 mil toneladas da commodity, 97,2% mais que em igual período de 2011/12. Esse volume está com preço médio de 21,75 centavos de dólar por libra-peso e com dólar fixado a R$ 2. Esses valores estão mais elevados que a média da safra 2012/13 - preço de 21,50 centavos de dólar por libra-peso ao câmbio de R$ 1,85.

Já a Guarani, controlada pela Tereos Internacional, registrou uma margem Ebitda de 34,6% no terceiro trimestre desta safra, percentual que, assim como suas concorrentes, considera os tratos culturais aplicado na cana como investimento, e não custo. O desempenho, de acordo com a empresa, está relacionado ao menor custo caixa, resultado do crescimento da moagem de cana (11%) e do aumento das margens de venda de energia elétrica.

As receitas com a venda e eletricidade alcançaram R$ 26,7 milhões no trimestre, um aumento de 162% em relação ao mesmo período da safra passada. Com isso, a venda de energia passou a representar 4,6% do total das receitas do trimestre, ante fatia de 1,7% no mesmo intervalo do ciclo 2011/12.

A Guarani vendeu no trimestre 148 gigawatts/hora, 65,4% acima do comercializado um ano antes. Por conta dos preços recordes da energia no mercado à vista nos últimos meses, o preço médio do megawatt/hora foi de R$ 180,3, 58,7% mais que no mesmo trimestre do exercício passado.

Em contrapartida, com açúcar a Guarani registrou no trimestre preços médios 8% menores (em base anual), de R$ 971,5 por tonelada. Em etanol, os preços médios alcançados pela companhia diminuíram 14,1%, para R$ 1,074 mil o metro cúbico.

Fabiana Batista



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