Financeiro

Usinas da Bunge lucram menos, mas companhia está otimista com setor


NovaCana - 29 out 2015 - 16:41

A gigante norte-americana Bunge disse que está "confiante" em seus negócios de açúcar e etanol do Brasil, apesar da forte queda, de 93%, nos ganhos trimestrais do segmento. Para a empresa, os produtos deverão ter uma melhora em 2016, destacando que o segmento já está em situação mais favorável ante o ano passado. Os resultados para o trimestre de julho a setembro foram divulgados nesta quinta-feira (29).

A empresa informou que o lucro operacional (Ebit) em seu segmento de açúcar e bioenergia, caiu para US$ 3 milhões, ante US$ 44 milhões registrados um ano antes.

A companhia, opera oito usinas no país, com capacidade de moagem combinada de aproximadamente 21 milhões de toneladas de cana por safra, e que no passado chegou a considerar a venda de ativos de açúcar e etanol, afirmou que está à procura de maneiras de reduzir a exposição ao setor, mas que ainda leva tempo para que uma solução certa seja encontrada.

Segundo o presidente-executivo da Bunge, Soren Schroder, o custo de produção de açúcar na nova safra está perto de 12 centavos de dólar por libra-peso, "bem abaixo" do valor obtido em negócios futuros, disse o executivo.

Nesta quinta-feira, o contrato de açúcar bruto na bolsa de Nova York para entrega em maio de 2016, quando a nova colheita já estará em andamento, está em cerca de 14 centavos de dólar.

"Eu diria que pela primeira vez, quando você olha para a safra futura, consegue garantir margens razoáveis como produtor de açúcar e então a questão é realmente até que ponto o etanol vai acompanhar", argumentou o presidente da Bunge, em teleconferência com analistas.

As receitas com as vendas no segmento apresentaram queda de 23%, para US$ 891 milhões, o que reflete os fracos preços do açúcar durante o período e a incidência chuvas, que, além de retardar a colheita de cana, reduziram os níveis de ATR na cana.

No período foram comercializados 2,3 milhões de toneladas de produtos da cana, 58% acima do vendido um ano antes.

Segundo a companhia, apesar do volume de produção deste ano ter ficado acima do registrado em 2014, o crescimento foi menor do que o esperado devido ao excesso de chuva em setembro, o que limitou o número de dias de moagem das usinas no centro-sul.

No trimestre foram processadas 7,9 milhões de toneladas de cana, alta de quase 7% para o período. No acumulado do ano, as usinas da Bunge processaram 15,6 milhões de toneladas, pouco acima dos 15 milhões atingidos no mesmo período do ano passado.

bunge sugar bioenergy

Já o lucro bruto reduziu de forma mais branda que as receitas, o que indica a redução dos custos de produção. A queda do resultado bruto foi de 17%, para US$ 53 milhões, ante US$ 64 milhões registrados no mesmo período do ano passado.

A Bunge também revelou que os resultados do trimestre no segmento de cana foram impactados por uma perda de US$ 5 milhões relativa aos óleos renováveis da joint venture que possui com a Solazyme.

Houve ainda uma perda US$ 7 milhões com o hedge de açúcar, que a empresa esperar reverter no próximo trimestre. O efeito negativo da proteção do preço da commodity contrasta com um ganho de US$ 12 milhões no mesmo período do ano passado.

No acumulado dos nove meses de 2015, o prejuízo operacional atingiu US$ 32 milhões, mais que o dobro do déficit de US$ 14 milhões registrado no mesmo intervalo do ano passado. Já a receita com a venda de açúcar, etanol e energia encolheu 26%, para US$ 2,5 bilhões no período de janeiro a setembro.

“Forte demanda interna”

No entanto, o grupo estava otimista sobre as perspectivas para a divisão sucroenergética.

"A forte demanda interna e uma perspectiva de melhoria dos preços para o etanol no Brasil nos dão a confiança de que vamos terminar o ano com rentabilidade e fluxo de caixa livre positivos", disse o diretor financeiro do grupo, Drew Burke.

Schroder afirmou que "a demanda por etanol no Brasil tem sido forte", apoiada por recentes aumentos dos preços da gasolina, que aumentaram a competitividade e possibilitaram também recuperação dos preços do biocombustível.

Além disso, a "desvalorização significativa do real brasileiro devolveu ao Brasil seu papel tradicional como produtor de baixo custo do mundo de açúcar", com a moeda mais fraca tornando o país mais competitivo.

Resultado geral

No resultado geral de seus negócios, a Bunge apresentou um lucro líquido mais modesto no último trimestre. O ganho caiu 19%, para US$ 239 milhões, o equivalente a US$ 1,90 por ação, valor acima das expectativas de analistas que projetavam $ 1,56 por ação.

Já a receita foi de US$ 10,79 bilhões, queda de 21% na comparação em base anual.

novaCana.com
com informações adicionais do Agrimoney e Reuters


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