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Usina Jacarezinho investe R$ 15 milhões para integrar produtores e eleva produção

Sucroenergética mantém programa com cerca de 300 fornecedores de cana, que recebem assistência e apoio em troca de fidelidade na entrega


Globo Rural - 30 mar 2022 - 09:24

Thiago Luis Dalaqua Padeigis, de 29 anos, é formado em Direito, mas nunca exerceu a profissão. Osni Manoel Lima, de 64, é químico e trabalhou 30 anos na área industrial de usinas sucroenergéticas. Os dois integram um grupo de 315 produtores de cana-de-açúcar de 18 municípios do norte do Paraná e sul de São Paulo que mantém parceria com a usina Jacarezinho recebendo mudas de cana, assistência técnica no preparo do solo, plantio e colheita, garantia de compra, fomento e aval na hora de comprar os insumos.

Inspirada em usina paulista que tinha modelo semelhante, a Jacarezinho, que leva o nome do município paranaense em que fica sua sede e que integra o grupo Maringá, decidiu criar, em 2016, uma área específica para negociar a compra de matéria-prima e integrar produtores, visando garantir o fornecimento constante de cana para o seu negócio, que inclui a produção de açúcar e etanol e a geração de energia. Foi criado o departamento de Produtores Integrados de Cana (PIC), que investiu desde então R$ 15 milhões, segundo o diretor operacional sucroalcooleiro da Jacarezinho, Condurme Aizzo.

“Saímos de uma moagem de 1,8 milhão de toneladas em 2012 para 2,6 milhões de toneladas há dois anos. Desde a criação do PIC, já ampliamos em 11,14% o volume de Açúcar Total Recuperado (ATR) e em 2,62% a taxa de tonelada de cana por hectare”, afirma. No ano passado, os produtores do PIC entregaram mais de 1,5 milhão de toneladas de cana, cultivadas em 17.149 hectares, com produtividade média de 87,47 toneladas por hectare e 136 quilos de ATR por tonelada.

O diretor conta que o PIC nasceu com cerca de 300 integrados. Desde então, alguns saíram e outros entraram. Os contratos são de cinco anos até a exaustão do canavial. “O modelo nos ajuda a fidelizar o fornecedor, que sofre o assédio anual de outras usinas da região e também pode ser atraído para o plantio de grãos que é forte por aqui”.

Perfil variado

O perfil dos produtores integrados é bem variado, com áreas plantadas de cana a partir de 2 hectares até 400 hectares, segundo Aizzo. O tipo de contrato também varia porque o fornecedor pode cuidar de todos os tratos culturais, da colheita e do transporte da cana até a usina ou pode terceirizar para a usina uma ou mais partes do processo.

Osni Lima, que planta 50 hectares em Cambará (PR), é fornecedor da Jacarezinho desde 2007, antes da criação do PIC. Ele integra e administra um condomínio formado em 2013, de produtores que plantam no total 960 hectares, fazem todos os tratos culturais e a colheita e entregam 100% das cerca de 80 mil toneladas colhidas por ano à usina.

“Temos boa remuneração, assistência e a garantia de que vamos receber pelo que entregamos na data combinada. A usina financia nossos custos de operação que são pagos em toneladas de cana em cinco anos, fornece mudas, avaliza nossa compra de insumos em cooperativas da região e chega a pagar os insumos agrícolas se a gente não tiver o dinheiro no vencimento do contrato para nos descontar depois”, elogia Lima, acrescentando que nesta safra as mudas foram entregues ao produtor sem custo.

Thiago Padeigis mora em Andirá (PR) e já era prestador de serviços da Jacarezinho em frentes de colheita mecanizada com sua empresa de máquinas agrícolas antes de se tornar fornecedor de matéria-prima. Ele planta cana com o pai, Waldemir, na vizinha Bandeirantes (PR) e em Palmital (SP). No total, cultiva 320 hectares e entrega a produção média anual de 25 mil toneladas para a Jacarezinho desde a criação do PIC.

“Eles viabilizam a diluição do custo de plantio que chega a R$ 15 mil por hectare, fornecem mudas e garantem o aval na compra de adubos, com a emissão de uma NPR (Nota Promissória Rural) que desburocratiza a operação e ainda dá poder de negociação de preço ao produtor porque a revenda tem a certeza de que vai receber pelo produto e na data certa”, relata.

Só as mudas que saem sem custo ao produtor neste ano, representam uma economia de R$ 3 mil por hectare, diz ele. Outra vantagem, segundo Padeigis, é que a usina fornece assistência técnica e também adianta recursos no caso de necessidade de crédito para compra de terras visando a expansão do plantio.

Aizzo, o diretor da usina, ressalta que a busca de maior produtividade é a chave do negócio. “Se o produtor colher mais, nós também ganhamos. Temos quatro agrônomos dando suporte aos integrados, inclusive na questão de tecnologia. Aplicamos herbicidas por drones, investimos em variedades melhores e em automação”, afirma.

Nova safra e fertilizantes

No ano passado, a moagem da Jacarezinho caiu para 2,4 milhões de toneladas, com produção de 167,8 mil toneladas de açúcar e 94,6 metros cúbicos de etanol. Mesmo assim, o resultado líquido da empresa, que é uma das cooperadas da Copersucar, foi de R$ 182,8 milhões, um aumento de 111% em relação ao ano anterior devido ao cenário global de preços e aos investimentos realizados pela empresa nos últimos anos.

Nesta safra, que começa em abril, a expectativa é processar 2,5 milhões de toneladas. A Jacarezinho aplica vinhaça por aspersão em 7,5 mil de seus 14 mil hectares próprios e está investindo agora em compostagem de torta de filtro e cama aviária para baixar os custos com fertilizantes. Está em estudos o investimento futuro em aplicação localizada de vinhaça enriquecida.

O preço atual dos fertilizantes é mesmo o grande gargalo, segundo os produtores. Lima diz que já tem os insumos desta safra e espera repetir a produtividade de seu canavial do ano passado, quando colheu 117 toneladas por hectare com canas de 1º corte e 6º corte. No condomínio, a média de produtividade ficou em 103 toneladas por hectare. Um dos trunfos dos produtores é estender os anos de colheita do canavial antes de precisar fazer a renovação.

“Selecionamos as melhores variedades, caprichamos no manejo, cortamos a cana na hora certa, não pisoteamos a área. Enfim, tentamos fazer tudo certo para ganhar mais anos de colheita. Temos cana de 10, 12 e até 14 anos que ainda produzem bem, cerca de 90 toneladas por hectare”, conta.

Para a safra 23/24, no entanto, ele ainda não comprou insumos. Diz que vai aguardar mais um pouco. “O preço está fora da órbita. Todos os dias sobe na revenda. O dólar cai, mas o petróleo sobe”, pontua.

Padeigis, que colheu 85 toneladas por hectare no ano passado, espera um desempenho melhor agora porque as chuvas se distribuíram melhor desde setembro, mas ainda não comprou 100% dos fertilizantes que vai precisar.

“Estávamos vivendo uma turbulência nos insumos causada pela covid, que foi agora acirrada pela guerra no leste europeu, de onde vem a maior parte dos nossos fertilizantes. Travei uma parte dos custos no ano passado e estava aguardando alguma janela de promoções das cooperativas para comprar o restante e passar o ano tranquilo. Pelo menos o mercado está remunerando bem a cana”, disse.

Eliane Silva


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