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Tereos Internacional vê melhor ano à frente depois de grandes perdas em 2018


Reuters - 13 jun 2019 - 08:30

A maior fabricante de açúcar da França, a Tereos, se diz confiante em relação aos resultados do próximo ano por causa de uma recuperação nos preços na Europa. Na quarta-feira (12), a companhia registrou um aumento de dez vezes nas perdas líquidas em 2018/19.

No ano passado, os preços mundiais do açúcar caíram ao seu nível mais baixo em uma década devido a um aumento nos estoques provocado, em parte, pelo fim das cotas de produção da União Europeia, em 2017. Mas o mercado global se estabilizou desde então e os preços europeus se recuperaram.

“Devemos nos beneficiar plenamente da recuperação dos preços no segundo semestre do ano”, disse o presidente-executivo da Tereos, Alexis Duval, à Reuters. Ele acrescenta que os preços do açúcar à vista na Europa subiram 33% desde o final do ano fiscal passado.

O prejuízo líquido anual da Tereos aumentou para 242 milhões de euros (US$ 274,3 milhões) em seu exercício até o final de março, contra uma perda de 23 milhões de euros no ano anterior.

Muitos fabricantes europeus de açúcar, incluindo a alemã Suedzucker – maior refinaria de açúcar da Europa –, a Nordzucker e a franco-suíça Cristal Union, também registraram quedas acentuadas nos lucros no ano passado, justificadas pela queda nos preços em um mercado com excesso de oferta.

Isso levou alguns fabricantes a anunciar o fechamento de fábricas. A Suedzucker e a Cristal Union planejam interromper a produção em duas usinas de açúcar na França em 2020. A Tereos reiterou que não tem tais planos.

Duval esperava que o Ebitda (lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização) da Tereos permaneça positivo em 2019/20, mas se recusou a dar projeções para o lucro líquido.

De acordo com ele, um acordo com o grupo italiano Etea, envolvendo os ativos de álcool e amido da Tereos na Europa, deve impulsionar ainda mais as atividades não-açucareiras da Tereos, amortecendo o impacto da crise do mercado de açúcar.

A Tereos explica em seu relatório de resultados que deve comprar a participação de 50% da Etea na Sedalcol France e vender à Etea sua participação de 50% na Sedamyl e Sedalcol UK.

O acordo, previsto para ser concluído nos próximos meses, reduziria a dívida líquida da Tereos em 220 milhões de euros e teria um impacto positivo no lucro operacional de cerca de 15 milhões de euros por ano, disse Duval.

Ele se recusou a comentar quaisquer outras prováveis negociações e acordos do grupo.

Dívida crescente

O Ebitda ajustado da Tereos foi de 275 milhões de euros em 2018/19, queda de 320 milhões de euros na comparação com 2017/18. Isso incluiu perdas de 142 milhões de euros em ambas as atividades de açúcar na Europa e no exterior, incluindo a filial brasileira.

A dívida líquida, por sua vez, subiu para 2,50 bilhões de euros, de 2,35 bilhões no final de março do ano passado, principalmente devido a um fluxo de caixa negativo e um impacto desfavorável na taxa de câmbio, disse a empresa.

Após a divulgação dos resultados da Tereos, o rendimento de uma obrigação de longo prazo de referência para a empresa caiu drasticamente, tendo atingido um recorde na sexta-feira. O rendimento dos títulos de junho de 2023 ficou em 11,01%, tendo atingido 13,53% na sexta-feira.

O grupo informou em fevereiro ter garantido um empréstimo de 250 milhões de euros que expira em 2022. Com ele, a companhia quitaria metade de seu bônus de 500 milhões de euros em março de 2020 com um ano de antecedência.

No entanto, a Tereos teve dificuldades para encontrar financiamento em abril, quando buscou bancos adicionais para espalhar o risco do empréstimo, disseram fontes à Reuters.

A vice-presidente financeira da Tereos, Stephanie Billet, recusou-se a dizer se o processo foi bem-sucedido. “Temos uma situação de liquidez e estrutura financeira muito sólida e satisfatória”, disse Billet à Reuters.

Ela afirmou que o grupo tem uma linha de crédito garantida com alguns grandes bancos, o que poderia garantir o pagamento da outra metade do título no próximo ano. Ainda assim, a Tereos estaria tentando obter outros financiamentos antes do prazo.

A Tereos ainda adiou até 2019/20 parte de seu preço garantido para a beterraba sacarina, aliviando a carga para a safra 2018/19 em quase 110 milhões de euros.

Os fracos resultados do grupo nos últimos dois anos provocaram uma crise interna, com dissidentes acusando a Tereos de esconder dificuldades financeiras, algo que o grupo sempre negou.

Sybille de La Hamaide
Com reportagem adicional de Gus Trompiz; tradução novaCana.com