Financeiro

S&P analisa nível de eficiência das sucroenergéticas e como isso impacta o crédito

Relatório da agência de classificação de risco explora os fatores mais importantes na análise de crédito das usinas de açúcar e etanol; destaque vai para a relação entre receitas e custos


novaCana.com - 16 jul 2020 - 10:15

O acesso ao crédito – ou, mais precisamente, a falta dele – é uma questão delicada para muitas sucroenergéticas. Em um setor marcado por uma grande disparidade de resultados e altos endividamentos, a dependência da captação de recursos pode prejudicar os investimentos necessários para a manutenção e a renovação dos canaviais, o que, consequentemente, afeta os resultados financeiros das companhias. É um ciclo vicioso já bem conhecido.

Para a agência de classificação de risco S&P Global Ratings, que analisa a qualidade do crédito de empresas, a eficiência é o principal fator para as usinas de açúcar e etanol. O tema gerou um relatório disponibilizado pela empresa no começo de julho.

“Em nossa opinião, um fator chave é o nível de eficiência, medido pelo spread entre receita e custo caixa, ponderado pela carga de juros e escala das operações de cada empresa”, afirma a S&P, que também deduz a carga de juros das empresas para estimar quanto de caixa resta para expansão, dividendos ou redução da dívida. “A liquidez e a estrutura de capital também desempenham um papel importante na análise da qualidade do crédito”.

Segundo a agência, o nível de eficiência é usado para classificar e comparar as sucroenergéticas avaliadas, determinando quais são mais capazes de resistir a um cenário de preços baixos de açúcar e etanol.

Atualmente, nove empresas do setor de açúcar e etanol têm seus resultados acompanhados pela S&P. São elas: Raízen, São Martinho, Adecoagro, Jalles Machado, Cocal, Cerradinho, Vale do Tijuco (controlada pela CMAA), Bevap e Coruripe.

“Já analisamos mais de 35 participantes da indústria doméstica nos últimos anos”, relata a agência, que segue: “Isso nos proporcionou um forte senso de como as empresas se comparam e os principais problemas que fazem com que os players se desviem de suas metas operacionais, sem contar os preços altamente voláteis das commodities e da variação cambial, que afeta os players brasileiros em geral”.

Entre os fatores determinantes na análise do perfil de risco de negócio das sucroenergéticas, a S&P cita: eficiência operacional, escala e diversificação de produtos. Além disso, a capacidade de gerar fluxos de caixa operacionais livres em uma base consistente é utilizada para fundamentar o perfil de risco financeiro.

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