Financeiro

Em recuperação judicial, Usina Campestre (SP) tem dívida menor


Folha da Região - Araçatuba/SP - 02 abr 2013 - 15:33

Auditoria solicitada pelo Ministério Público aponta que a Usina Campestre de Penápolis, empresa sucroalcooleira que está em recuperação judicial desde 2010, pode ter uma economia de mais de R$ 310 milhões em relação à dívida com credores.

O levantamento contábil da empresa, que durou aproximadamente dois anos e foi realizado por uma empresa especializada de São Paulo por determinação da Justiça, constatou que a dívida com parte dos credores, que seria de R$ 384.120.615,50, na verdade é de R$ 58.707.358,30.

Na relação que foi apresentada ao MP constam 86 credores que na lista aparecem como fornecedores de cana (41), negociações comerciais (29), financeiras (13) e materiais e serviços (3). Na maioria dos casos houve redução do valor informado, mas também há casos de elevação e outros em que a dívida não foi constatada. Os valores ainda precisam sem confirmados pela Justiça.

O promotor Adelmo Pinho, responsável por acompanhar a recuperação judicial, explicou que o pedido para contratar a auditoria foi feito em junho de 2010. "Fiz o pedido da auditoria para reconhecer e verificar legalidade dos créditos apontados, a fim de evitar prejuízo à empresa e também aos credores", explica.

Questionamentos

Ele conta que assim que começou a analisar os documentos relativos à recuperação judicial, solicitou auxílio à uma perita do Ministério Público de São Paulo, especialista no assunto, para acompanhar os trabalhos.

Ao avaliar a documentação apresentada pela empresa, cruzando informações de entrada de dinheiro no caixa da usina e de saída de mercadoria da empresa, a profissional notou ausência de documentos que comprovassem todos os créditos apontados no pedido de recuperação judicial.

Pinho comenta que o resultado é bastante satisfatório, pois além da economia que pode gerar à empresa, a auditoria trouxe transparência com relação à situação contábil da usina. "Qualquer pessoa que acessar a saúde financeira da empresa vai ver que ela está melhor e isso contribui para a viabilidade da recuperação", diz. O gestor da usina Campestre, José Carlos Fernandes de Alcântara, afirma que a determinação do MP em pedir a auditoria foi muito feliz, apesar do custo de aproximadamente R$ 1 milhão, pago pela usina. "O Ministério Público tem se empenhado desde o início do processo no sentido de viabilizar a recuperação judicial, como fiscal da lei, atento à importância socioeconômica que a usina representa na região", comenta. Segundo ele, a dívida total da usina com os credores informada na recuperação judicial é de cerca de R$ 510 milhões, dos quais, R$ 90 milhões apenas com fornecedores de cana. A dívida tributária não foi informada.

Cronograma

Até agora, foi quitada parte da dívida com credores de garantia real e também as trabalhistas. Como as demais seguem o cronograma aprovado no processo de recuperação judicial, praticamente todo o montante apontado pela auditoria ainda não começou a ser quitado.

Além disso, Alcântara lembra que também foi aprovado um deságio de 70% sobre o valor devido a alguns credores. Assim, dos R$ 510 milhões informados na recuperação judicial, teriam que ser efetivamente pagos R$ 268 milhões. Com o montante caindo para R$ 58,7 milhões, a valor a ser desembolsado cairia para aproximadamente R$ 20 milhões. "Foi um trabalho extremamente positivo e o resultado final muito impactante para a usina", afirma.

Os credores que se sentirem lesados com a alteração nos valores a receber poderão contestar os dados na Justiça.

Início da safra pode ser adiado após proibição de queima
O início da safra da usina Campestre de Penápolis, programado para o próximo dia 10 de abril, pode ser adiado para adequação de quadro de pessoal. A Cetesb (Companhia Ambiental do Estado de São Paulo) suspendeu a emissão de autorização para a queima da palha da cana-de-açúcar nos municípios da região de Araçatuba, o que exigirá que a usina faça novas contratações.

O gestor da empresa, José Carlos Fernandes de Alcântara, informou que já foram contratados 900 funcionários para trabalhar no corte de cana. Porém, caso seja mantida a proibição da queima, será necessário contratar mais mil pessoas para o trabalho. "Essa medida da Justiça pode atrasar o início da safra. No meu modo de ver, ela não levou em conta a lei estadual existente e o impacto socioeconômico que isso irá causar", argumenta.

Ele diz que, além de ser muito ruim para a empresa, a proibição prejudica ainda cerca de 400 pequenos fornecedores de cana da usina, pois essas propriedades não foram preparadas para a mecanização.

Lázaro Jr.