Financeiro

Papel de São Martinho se mantém no radar de analistas


Valor Econômico - 19 dez 2012 - 09:17 - Última atualização em: 29 nov -1 - 20:53

O investidor que perguntou ontem à sua corretora sobre a São Martinho, empresa do setor sucroalcooleiro, deve ter recebido duas notícias: uma boa e outra nem tanto. A boa indicava que as perspectivas sobre os fundamentos da empresa ficaram ainda mais positivas. Na segunda-feira, a empresa anunciou a compra por R$ 199,6 milhões da Usina São Carlos, na cidade de Jaboticabal, interior de São Paulo. Com a aquisição, a empresa passa a contar com mais 1,85 milhão de toneladas de cana-de-açúcar. O aumento é importante para suprir a necessidade do grupo, especialmente da usina São Martinho, a maior do mundo em processamento de cana, e que vinha operando abaixo de sua capacidade máxima por falta de matéria-prima.

A outra notícia dizia que as boas perspectivas não são, exatamente, uma surpresa. Em relatório, os analistas do Barclays escreveram que a maior capacidade de produção de cana-de-açúcar já estava incluída no 'valuation' da empresa. "O acordo permitirá que a capacidade da usina São Martinho cresça para 10 milhões de toneladas por ano na safra 2014/15, em linha com nosso modelo de valuation. O custo médio de US$ 51/tonelada de cana também está em linha com o crescimento do capex [orçamento para investimento]", escrevem os analistas do Barclays.

Para Werner Roger, sócio e gestor da estratégia de small caps da Victoire Brasil Investimentos, a compra da usina São Carlos também não muda a tese de investimentos que a gestora vislumbrou para a companhia há quatro anos. Também não altera a avaliação feita pela gestora de fundos Humaitá Investimentos, que investe na empresa desde o início de 2010.

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Roger, da Victoire, entende que a maior imobilização de capital, gerada com a compra dos canaviais, poderia ser interpretada como um mau negócio. Muito antes da compra da São Carlos, a empresa já era bastante verticalizada. Segundo o relatório do terceiro trimestre do ano, a companhia comprou de terceiros menos de 35% da matéria-prima que processou nos primeiros nove meses do ano. "Há quem ache ruim ter o capital imobilizado. Não concordo. A terra tem se valorizado muito. E tem faltado matéria-prima para os fabricantes de álcool e açúcar, como mostram os dados da própria companhia. Com canaviais próprios, a empresa consegue mitigar esse problema", afirma Roger. "A expansão em produção de cana vai proporcionar ganhos de escala e margens maiores", escrevem os analistas do Barclays.

Em dezembro, a ação ordinária (ON, com direito a voto) da São Martinho entrou nas carteiras teóricas prévias para o próximo quadrimestre de quatro índices da BM&FBovespa (veja no gráfico). Nenhum dos indicadores nem o Índice Bovespa chegaram perto do desempenho positivo da ação em 2012. Do início do ano até o dia 17 de dezembro, a São Martinho teve uma valorização de 51,47%.

A alta não tornou o papel caro, na avaliação do analista Fabrício Freitas, da Humaitá. Apesar de o P/L (relação entre o preço e o lucro por ação) estar em 19,21 vezes, segundo os dados da "Bloomberg", a ação está "barata". "Quando olhamos outro múltiplo, o EV/Ebitda [valor de mercado da companhia dividido pela dívida líquida] percebemos que a empresa está sendo negociada em um preço baixo", afirma. Segundo o Barclays, "a ação da empresa está sendo negociada a 5,4 vezes o EV/Ebitda para os próximos 12 meses, em linha com a média histórica."

A companhia tem 13 recomendações de compra, duas de venda e três de manutenção, segundo a "Bloomberg". A Planner é uma das que têm manutenção para o papel. Sobre os resultados do terceiro trimestre, a corretora escreveu: "As perspectivas se mantêm favoráveis".

Karla Spotorno