Financeiro

[Atualizada] Odebrecht tem prejuízo bilionário com açúcar e etanol em 2013


Valor Econômico - 25 abr 2014 - 09:02 - Última atualização em: 25 abr 2014 - 16:39
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Algumas subsidiárias grupo Odebrecht têm causado preocupação para os executivos da organização. O principal caso é o da Odebrecht Agroindustrial, que atua na produção e comercialização de etanol, energia elétrica e açúcar. O prejuízo dessa controlada em 2013 foi de R$ 1,3 bilhão. "É um problema", diz Marcela Drehmer, diretora financeira do grupo Odebrecht.

Nos últimos anos, as novas áreas de atuação - como energia e etanol - limitaram os números da organização ao demandar investimentos com baixa ou nenhuma geração própria de caixa. Somado a outros efeitos, esse fator contribuiu para o prejuízo bilionário em 2012 (veja gráfico abaixo).

"Você não acerta em todas. Mas, do ponto de vista estrutural, acho que vamos acertar na Agroindustrial. É uma questão de tempo, porque o etanol é necessário para a crise energética", afirma Marcela. Ela diz que o grupo não cogita a saída do negócio "por enquanto".

A executiva defende que o ano passado marca o começo da consolidação de grande parte dos novos negócios da companhia. Ela acredita que boa parte dos ativos ainda está em crescimento, um processo que deve ser concluído até 2016.

"Como qualquer investimento 'greenfield' [novo], leva-se um tempo [para haver resultados]. Mas o que a gente começa a ver agora é um crescimento expressivo da geração de caixa dos novos negócios, o que foi muito positivo para obtenção do lucro. Foi um ano que a gente conseguiu visualizar que a estratégia implementada caminhou na direção correta", diz.

A companhia sofre, nesse mercado, com a retirada da Contribuição de Intervenção sobre Domínio Econômico (Cide) sobre a gasolina e com outras medidas do governo federal para controle do preço desse combustível - o que faz o etanol se tornar menos competitivo. A dívida total da Agroindustrial foi de R$ 11 bilhões em 2013, o que representa 15% do total do grupo.

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Resultado consolidado do grupo

O grupo Odebrecht registrou um lucro líquido de R$ 490,7 milhões em 2013, revertendo um prejuízo de R$ 1,5 bilhão obtido no ano anterior. A companhia, com origens na construção pesada, também alcançou a marca de R$ 96,9 bilhões de faturamento - 16% mais que em 2012 -, o que a mantém na disputa pelo posto de maior empresa privada não financeira do país, posição hoje ocupada pela mineradora Vale (com R$ 106,2 bilhões de receita bruta no ano passado). Os números são resultado de um agressivo ciclo de expansão iniciado nos últimos anos, que também ocasionou uma dívida recorde e forçou a organização a enfrentar desafios e riscos de novos mercados.

O Ebitda (lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização), item que a companhia defende ser o mais importante em seu negócio, subiu 41% na comparação anual, para R$ 11,4 bilhões em 2013. Sem contar a petroquímica Braskem e a área de Engenharia e Construção (com R$ 32,9 bilhões de faturamento), dois negócios já maduros, o Ebitda subiria ainda mais - 161%.

Por outro lado, a dívida bruta da companhia também alcançou seu recorde, com R$ 73,2 bilhões (29% mais que um ano antes). Tirando o caixa e as disponibilidades de R$ 20,8 bilhões, a dívida líquida ficou em R$ 52,4 bilhões - 26% maior que um ano antes. Ainda assim, a alavancagem (medida pela relação entre a dívida líquida e a medição de caixa do Ebitda) foi reduzida de 5,1 vezes em 2012 para 4,6 vezes em 2013. Segundo Marcela, a holding não tem compromisso com os credores para limitar a alavancagem.

Controladas

A petroquímica controlada Braskem, que é responsável hoje por praticamente metade do faturamento da Odebrecht, também tem seus desafios. Recentemente, a companhia sofreu com a variação cambial: foram R$ 732 milhões de prejuízo líquido ao fim de 2012 por parte da subsidiária. No ano seguinte, o cenário da Braskem mudou e a petroquímica teve lucro de R$ 507 milhões.

Apesar de não ser vista com preocupação na organização, outra controlada, a Odebrecht Ambiental - de saneamento e gestão de resíduos - teve perspectiva de nota classificada como negativa pela agência de classificação de risco Fitch. Para os analistas, houve frustração com a perspectiva de alavancagem da companhia para os próximos anos. A companhia tem pela frente um ciclo de investimentos combinado a uma geração de Ebitda para projetos recém-adquiridos "abaixo do esperado", diz texto divulgado pela agência.

Para 2014, a expectativa é que o crescimento continue, mas a executiva não diz quanto. Até 2016, os investimentos serão de R$ 34 bilhões (em 2013, foram R$ 12,8 bilhões). O montante segue a linha do informado pelo diretor-presidente do grupo, Marcelo Odebrecht, recentemente ao Valor. Na previsão desses investimentos, contam os aportes de sócios em subsidiárias e em projetos e ainda os financiamentos. No número, estão computados projetos já aprovados e parte dos que ainda passarão por avaliação. "Mas será muito perto disso", diz Marcela.

Fábio Pupo
Texto adaptado pelo novaCana a partir das informações do Valor Econômico