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Financeiro

Odebrecht Agroindustrial vira pó na carteira de investimentos da Ashmore


O Estado de S. Paulo - 21 jan 2014 - 14:14 - Última atualização em: 28 jan 2014 - 09:33

A visão externa sobre o Brasil anda bastante azeda. De queridinho dos investidores poucos anos atrás, o País passou a ser visto com extrema desconfiança. O crescimento modesto, a inflação salgada, a dificuldade fiscal e a considerada intervenção do governo na economia são pontos que desagradam e trazem desconfiança em ano eleitoral.

Os estrangeiros continuam tirando dinheiro do País. A Bovespa, que respondeu por um dos piores desempenhos do mundo no ano passado, segue como alvo de venda dos fundos de fora.

Além dos fatores macroeconômicos, há questões da área micro que contribuem para piorar a avaliação externa sobre o País. O colapso das empresas do grupo X, de Eike Batista, é o caso mais evidente e de maior impacto.

Investidores que acreditaram nas promessas eufóricas de petróleo farto e na garantia de que o empresário colocaria US$ 1 bilhão no negócio amargaram fortes perdas. A derrocada de Eike acabou deixando os investidores mais desconfiados.

Nesse contexto, causa ruído no exterior um caso recente envolvendo a Odebrecht Agroindustrial, ex-ETH Bioenergia, braço de bioenergia do grupo Odebrecht. A companhia virou pó dentro da carteira da gestora britânica voltada a emergentes Ashmore. O motivo exato, não se sabe.

A participação de 13% na Odebrecht Agroindustrial era o principal investimento do fundo Ashmore Global Opportunities. No mês passado, a gestora anunciou, no exterior, a decisão de realizar uma baixa contábil de nada menos que 90% do valor da empresa. A informação só foi conhecida porque o fundo é negociado na Bolsa de Londres e, portanto, precisa comunicar os investidores.

Mesmo assim, a Ashmore diz que não se pronuncia sobre investimentos. Não há detalhes sobre a decisão, tomada pelo agente independente de avaliação dos ativos do fundo. Relatórios recentes da gestora indicaram preocupação com endividamento. Mas, em junho do ano passado, a Ashmore descrevia a companhia como dona de um "forte balanço".

É fato que o setor não enfrenta um bom momento, em razão do preço controlado da gasolina, que rivaliza com o etanol, e dos montantes de dívidas feitos ao longo do tempo. Entretanto, por aqui, não há nenhuma informação pública mais específica sobre a companhia. Por ser fechada, a Odebrecht Agroindustrial não tem obrigação de divulgar balanços ou dados financeiros. Também não quis comentar a decisão da Ashmore.

O curioso é que a empresa possui outros acionistas importantes. Além da própria Odebrecht, com 56%, está presente o BNDES (14%), a japonesa Sojitz (12%) e a gestora brasileira Tarpon (2,45%). Entre eles, também nenhuma informação foi divulgada.

Da mesma forma que a avaliação externa sobre o Brasil era exageradamente otimista tempos atrás, é bem possível que agora os investidores estejam colocando nos preços um mau humor além da conta. De qualquer forma, desconfortos desse tipo não ajudam. O mistério gera um alerta nebuloso sobre a falta de transparência no mercado nacional.

Daniela Milanese

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