Financeiro

Odebrecht Agro fará ‘injeção’ de até R$1,5 bi para garantir recursos nas próximas safras


Reuters - 06 ago 2014 - 08:40

A Odebrecht Agroindustrial, divisão sucroalcooleira do grupo Odebrecht, planeja um aumento de capital de até 1,5 bilhão de reais, que serão destinados a investimentos e equacionamento de sua dívida, disse nesta terça-feira o presidente da companhia, Luiz de Mendonça.

Ele acrescentou que a empresa já conta com o compromisso de um aporte de 820 milhões de reais por parte do acionista controlador, a Organização Odebrecht.

O aumento de capital, já aprovado pelo Conselho de Administração, deverá ser discutido em Assembleia Geral Extraordinária (AGE) de acionistas neste mês. A empresa convocará este mês seus acionistas, entre os quais a BNDESPar, para realizar este aumento privado de capital.

"Estamos chamando uma AGE [Assembleia Geral Extraordinária] para deliberar sobre um aumento de capital importante, do qual já tenho compromisso de aporte de 820 milhões de reais do acionista controlador (Odebrecht) e que, se for acompanhado por todos os acionistas, pode chegar perto de 1,5 bilhão de reais, aproximadamente", disse Mendonça em entrevista.

Seguindo os trâmites esperados, a expectativa é que os recursos entrem no caixa da companhia no final de setembro.

Entre as medidas já adotadas para reduzir o endividamento está a venda dos ativos de cogeração, por R$ 3,7 bilhões, à Odebrecht Energia Renovável, subsidiária criada pelo grupo para investir em energia limpa.

Ao final da última safra a Odebrecht Agroindustrial informava um endividamento líquido de R$ 10,8 bilhões e uma receita líquida de R$ 2,6 bilhões.


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"Então, em dois meses teremos tudo isso equacionado... Mesmo com um cenário incerto do etanol, a gente confirma o nosso comprometimento com o setor, fortalece significativamente a estrutura de capital da companhia e também garante os recursos para investimentos nas próximas duas a três safras", disse o executivo.

No curto prazo, a incerteza gerada pelas adversidades enfrentadas pela indústria de etanol fizeram a empresa reduzir os investimentos no ano safra 2014/15 a 900 milhões de reais, contra 1,2 bilhão de reais investidos nos períodos anteriores. "Decidimos ser mais conservadores até que o cenário fique mais claro. Esperamos um cenário mais claro em 2015", acrescentou.

Segundo o Valor Econômico, o presidente da companhia preferiu não comentar sua expectativa quanto à postura dos demais acionistas da Odebrecht Agro sobre o aumento de capital. "Eles vão se manifestar na AGE. Todos têm sua estrutura de governança interna. Não tenho um guidance a anunciar sobre essa questão."

Com uma fatia de 14,4% da Odebrecht Agroindustrial, a BNDESPar, se participar integralmente da chamada de capital, terá de injetar cerca de R$ 210 milhões. Já o fundo Ashmore, com 13,1%, teria que colocar em torno de R$ 189 milhões para não ter sua participação no negócio diluída. A Tarpon Investimentos, com 2,4%, teria que aumentar seu capital em aproximadamente R$ 34,6 milhões.

A companhia segue "realista" no curto prazo, mas otimista nas perspectivas de rentabilidade do etanol no longo prazo. Questionado sobre se a empresa espera um reajuste dos preços da gasolina após as eleições, Mendonça se limitou a dizer que em algum momento o Brasil terá que corrigir esse rumo. "Essa correção está cada vez mais próxima".

Além de mudanças no perfil da dívida, a Odebrecht usará os recursos para a renovação de canaviais.

"Até o ano passado, era expansão. Hoje estamos no sétimo ano de operação, é natural que se entre agora em um ciclo de renovação mais acentuada", disse o executivo. A renovação dos canaviais, acrescentou ele, é muito importante para garantir uma melhora na produtividade.

Apesar do cenário incerto no curto prazo, a visão de longo prazo da companhia é que o etanol irá recuperar participação na matriz energética brasileira.

Fabíola Gomes
Com texto adicional do Valor Econômico

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