Financeiro

Odebrecht Agro suspende pagamento de R$ 9 bilhões em empréstimos

Com a consultoria do banco Rothschild e da assessoria financeira Virtus BR Partners, a sucroenergética conseguiu uma paralisação nos pagamentos da dívida, que tem entre os principais credores BNDES, Banco do Brasil, Bradesco, Itaú e Santander


Folha de S. Paulo - 05 nov 2015 - 09:59

A Odebrecht Agroindustrial, segunda maior produtora de açúcar e álcool do país, conseguiu uma trégua de 60 dias nos pagamentos a um grupo de bancos aos quais deve R$ 9 bilhões. A companhia disse aos credores que precisava do prazo para apresentar uma proposta de alongamento do débito e concluir investimentos necessários para sua operação.

A empresa, que teve prejuízo de R$ 1,2 bilhão de abril de 2014 a março deste ano, precisa acertar sua situação financeira com BNDES, Banco do Brasil, Bradesco, Itaú e Santander. Executivos de três dessas instituições disseram à Folha que concordaram com o adiamento e entendem que a renegociação é necessária para manter a operação de pé.

A Odebrecht, que vem sendo assessorada pelo banco Rothschild e pela assessoria financeira Virtus BR Partners, não quis dar detalhes. Foram as empresas que conseguiram negociar com todos os bancos envolvidos uma paralisação nos pagamentos. Mas, por meio de sua assessoria de imprensa, a sucroenergética confirmou que as conversas estão em curso e que o alongamento da dívida será "complementado" por uma nova injeção de recursos na companhia.

No ano passado, a Odebrecht Agroindustrial recebeu R$ 820 milhões de seus controladores e também renegociou parte das dívidas. A empresa afirma que ainda não definiu quanto irá aplicar neste ano, mas diz que o montante será superior ao realizado em 2014.

A produtora de etanol ainda precisa completar seu plano de negócios e este ano planeja investir pelo menos R$ 600 milhões.

Em comunicado à Reuters, a empresa declarou que o refinanciamento, que vai buscar prolongar vencimentos, é condicionado a uma injeção direta de dinheiro no caixa da companhia de R$ 836 milhões, por meio de aumento de capital, anunciado em outubro.

As dificuldades financeiras da companhia não estão ligadas à Operação Lava Jato, que investiga a suposta participação de outras empresas do grupo Odebrecht num esquema de corrupção na Petrobras.

Assim como aconteceu com todo setor de etanol, o projeto da Odebrecht foi alvejado, no período em que ainda tentava se firmar, por uma combinação de endividamento pesado para crescer rápido antes dos concorrentes no setor e a competição desleal com o preço da gasolina.

Além de o preço do combustível ter ficado artificialmente baixo durante anos para segurar a inflação, o governo deixou de cobrar a Cide, tributo que incide sobre a gasolina e o diesel. Com isso, o etanol ficou pouco atrativo para os consumidores.

Plano frustrado

A Odebrecht Agroindustrial foi criada em 2007 e até aqui consumiu mais de R$ 10 bilhões na construção e compra de usinas de etanol pelo país. Hoje, tem nove unidades em quatro Estados. Em cinco safras, a empresa amargou amarga quatro prejuízos.

A ideia era assumir a liderança de um mercado que parecia promissor, tinha apoio do então presidente Luiz Inácio Lula da Silva e atraiu interesse de grandes grupos do Brasil e do exterior.

Quando isso acontecesse, a empresa abriria o capital na Bolsa e recuperaria rapidamente o dinheiro investido no empreendimento.

Até agora deu tudo errado, mas os preços do mercado de etanol começaram a subir e a renegociação da dívida da empresa com os bancos é uma aposta na tentativa de colocar ordem na casa.

Com informações adicionais da Reuters


Acompanhe as notícias do setor

Assine nosso boletim

account_box
mail