Financeiro

Moagem, estoques e variação cambial afetam lucro trimestral da São Martinho


NovaCana - 11 nov 2015 - 10:56

Os números do grupo São Martinho continuam positivos, mas o lucro do segundo trimestre da safra 2015/16 traz um valor 81,7% menor do que o registrado no mesmo período do ano passado. O lucro líquido, que reflete os meses de junho a agosto deste ano, foi de R$ 21 milhões, ante os R$ 116,6 milhões aferidos um ano antes.

Os principais fatores que influenciaram a queda nos lucros foram a desvalorização do real, menor moagem e estoques mais carregados à espera de preços melhores – o que refletiu no volume de vendas.

Vale ressaltar que, na safra anterior, houve um ganho não recorrente devido à venda da participação na Agropecuária Boa Vista, que injetou R$ 79,8 milhões no caixa do grupo. Com a variação do dólar no período de março a setembro desse ano, a empresa registrou perda de R$ 217,8 milhões no patrimônio líquido.

O Ebitda ajustado, por sua vez, cresceu 24,1%, fechando o período em R$ 318,9 milhões, enquanto a margem Ebitda baixou para 46,7%.

O grupo São Martinho possui quatro usinas, com capacidade combinada para processar até 22 milhões de toneladas de cana por safra. As unidades estão localizadas em Pradópolis (SP), usina sede; Iracema, em Iracemápolis (SP); Santa Cruz, em Américo Brasiliense (SP) e Boa Vista, em Quirinópolis (GO), esta última uma joint venture com a Petrobras Biocombustível.

Vendas 30% maiores

Com incremento de quase 30% se comparada ao 2T15, a receita líquida totalizou R$ 683,6 milhões. O aumento é atribuído ao crescimento nas vendas de etanol anidro e valorização do açúcar.

O incremento da receita não se refletiu em lucro maior, em parte porque o custo dos produtos vendidos também cresceu, 38,3%, totalizando R$ 298,9 milhões. O encarecimento da operação reflete o volume de vendas superior ao período antecedente – houve aumento de 24,9%. Porém, também é preciso ressaltar que a menor qualidade do ATR no trimestre afetou a diluição dos custos da companhia, contribuindo para o aumento.

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O aumento na receita do etanol anidro, foi, em grande parte, puxado pelas vendas no mercado externo, inexistentes no mesmo período do ano anterior. Adicionadas ao movimento interno, o aumento no volume de vendas cresceu 139,2%, gerando R$ 221,9 milhões em receita para o derivado, incremento de 154,3%.

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A receita líquida das vendas de açúcar totalizou R$ 290,1 milhões no trimestre, aumento de 16,1% em relação ao mesmo período da safra anterior. A melhora do resultado reflete o aumento do preço médio de comercialização do açúcar em 19,5% no trimestre, dado a forte desvalorização do real no período. No acumulado da safra, a receita líquida de açúcar totalizou R$ 485,2 milhões, aumento de 7,0% em relação ao mesmo intervalo na safra anterior – refletindo aumento de 15,7% no preço médio de comercialização.

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Para o etanol hidratado, o menor volume de vendas foi compensado pelo aumento expressivo no preço, de 8,2%, e da exportação, que cresceu 10,4 mil m³, o que resultou em receita 2,3% superior, totalizando R$ 80,1 milhões. No volume total de vendas, houve queda de 10,3 mil m³.

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A energia elétrica também apresentou aumento de receita, puxado pela maior produção. Os 6,3% de crescimento totalizaram R$ 65,8 milhões, com 307 mil MWh comercializados, ante 233,9 mil MWh do período anterior. O preço médio caiu de R$ 264,8 para R$ 214,3. O aumento na produção é resultado da consolidação da usina Santa Cruz.

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Produção e fim de safra

O Grupo São Martinho deve encerrar a safra 2015/16 na primeira semana de dezembro ou, "no mais tardar, na metade da segunda semana" do mês que vem, de acordo com o diretor Financeiro e de Relações com Investidores da companhia, Felipe Vicchiato, que participou nesta terça-feira, 10, de teleconferência com analistas e investidores.

Conforme ele, apenas a unidade de Boa Vista, em Quirinópolis (GO), deve deixar cana-de-açúcar em pé no campo (bisada) para ser processada no próximo ano. "Devemos bisar cana apenas em Goiás, entre 200 mil e 300 mil toneladas, porque lá ainda não temos capacidade de moagem", explicou Vicchiato.

Na safra atual, ao mesmo tempo, as chuvas no centro-sul causaram diminuição da moagem das usinas da empresa, que caiu 0,8% nos primeiros seis meses da safra, totalizando 15 milhões de toneladas – 77,1% do guidance previsto, de 19,4 milhões de toneladas, que continua mantido.

O leve atraso no processamento, combinado com um ATR médio quase 8% menor, de 131 kg/ha, resultou em produções menores no acumulado da safra. A produção de açúcar de açúcar teve queda moderada de 3,5%, para 952 mil toneladas. Já a fabricação de etanol, tanto anidro quanto hidratado, recuou mais substancialmente. Os produtos apresentaram baixas de 13,8% e 12,4%, respectivamente.

Estoques 33% mais altos

Na tentativa de segurar os efeitos do câmbio desfavorável e da produção menor, a empresa aumentou os estoques de açúcar para 476,3 mil toneladas com esperança de melhores preços futuros. O aumento foi de 33,1% em relação ao mesmo período de 2014/15.

Já os de etanol, devido ao aumento das exportações e do consumo interno, baixaram 5,8% e 12% – hidratado e anidro, respectivamente. No entanto, considerando o aumento dos preços do biocombustível em outubro, a companhia já alterou o mix e aumentará a produção de etanol até o fim da safra com a intenção de suprir as reservas.

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Endividamento

Atualmente, o grupo totaliza R$ 3,2 bilhões em dívidas, o que significa aumento de 25,8% no endividamento da companhia e gera um indicador dívida líquida/Ebitda de 2,8 vezes.

O grupo atribuiu o aumento a dois fatores principais: o aumento pontual de R$ 433 milhões no capital de giro devido ao elevado número de estoques e a variação cambial de cerca de R$ 241 milhões no longo prazo.

A empresa destaca que o valor de mercado dos estoques de produtos acabados era de aproximadamente R$ 920 milhões em 30 de setembro deste ano. Com a venda destes estoques até março de 2016, a São Martinho espera retornar a alavancagem para um índice próximo a 2.

A dívida da empresa está, em sua maior parte (52%) em reais. Quanto aos prazos, divide-se em 23% no curto prazo e 77% no longo prazo.

Recompra de ações

No mesmo dia em que divulgou os resultados do segundo trimestre da safra 2015/16, a São Martinho a abertura do programa de recompra de ações, com duração de 18 meses. De acordo com o comunicado, podem ser adquiridas até 1 milhão de ações ordinárias, número correspondente a 2,2% dos papéis em circulação.

Não há informações sobre os motivos da recompra, mas, segundo especialistas do setor, o programa pode indicar expectativa em resultados futuros positivos. É uma maneira de a empresa mostrar que confia no próprio negócio e garantir rentabilidade maior das ações disponíveis, visto que o lucro é dividido entre menos acionistas.

Jorge Mariano – novaCana.com


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