Financeiro

Grupo Aralco pede recuperação judicial


O Estado de S. Paulo - 06 mar 2014 - 08:05

Com uma dívida líquida superior a R$ 1 bilhão, o grupo sucroalcooleiro Aralco entrou ontem com pedido de recuperação judicial, segundo informações de fontes do 'Broadcast', serviço em tempo real da 'Agência Estado', que operam no mercado de bônus no exterior e representantes do setor sucroalcooleiro.

O anúncio já era esperado pelo mercado, dados os volumosos vencimentos da empresa com bancos no curto prazo, assim como de seus bônus de dívida no exterior, que tem cupom vencendo em novembro. "Isto não é surpresa", afirmou uma fonte.

A companhia, com sede e unidade processadora em Santo Antonio do Aracanguá (SP), tem outras duas unidades - a Destilaria Generalco, em General Salgado (SP), e a Usina Figueira, em Buritama (SP) - além de ser coligada da Alcoazul, em Araçatuba (SP).

No balanço divulgado no mês passado com o resultado dos três primeiros trimestres da safra 2013/2014, o grupo relatou prejuízo acumulado de R$ 326,5 milhões, ante R$ 41,5 milhões de prejuízo em toda a safra 2012/2013.

O grupo relatou ter dívidas líquidas de R$ 1,04 bilhão acumuladas até dezembro de 2013, ante R$ 627,4 milhões acumulados em dívida até o final da safra anterior, em abril do ano passado. Do total de dívidas, a empresa informou que R$ 572 milhões eram bônus emitidos.

No comunicado referente ao balanço, a companhia ainda admite que "enfrenta restrições de crédito, não sendo capaz de refinanciar a dívida a vencer" e ainda que, em janeiro deste ano, contratou "a Virtus BR como" como consultor financeiro (financial advisor).

Produção
Na safra passada, até dezembro de 2013, segundo o último balanço da empresa, o grupo processou 4,72 milhões de toneladas da cana, 13,8% mais que as 4,15 milhões de toneladas processadas em igual período de 2013. As vendas de etanol cresceram 21,5% entre os períodos, para 201,9 milhões de litros, e as de açúcar demerara caíram 22,2%, para 116,2 mil de toneladas.

Os bônus de dívida da Aralco estão em queda há vários dias, operando em níveis que já embutiam a perspectiva de a usina não conseguir honrar suas dívidas. Hoje, os bônus do Grupo Aralco operaram a 8% do valor de face, puxando para baixo bônus de outras empresas brasileiras do setor, disse a fonte. O mercado aguarda agora a conferência com investidores que a empresa prometeu realizar amanhã.

A reportagem entrou em contato com o diretor da Aralco, José Carlos Escobar, mas ele não quis se manifestar. Já o diretor e relações com investidores, Yutaka Pereira Lima, não foi localizado até ontem à noite.

A empresa está em recesso até o dia 9 de março e enfrentou recentemente greve de funcionários por atraso nos pagamentos de salários.

Risco
Em janeiro, a agência de classificação de riscos Standard & Poor's rebaixou as notas da companhia. "A alta capacidade ociosa (superior a 30%) e a baixa produtividade agrícola (cerca de 70 toneladas de cana-de-açúcar por hectare) nos levaram a revisar nossa avaliação do perfil de risco de negócios da empresa, de "regular" para "fraco", explicou a agência.

Depois da S&P, a Fitch, também reduziu as notas da sucroalcooleira.

Cynthia Decloedt e Gustavo Porto