Financeiro

Em grave situação financeira, Odebrecht negocia dívidas das usinas de açúcar e etanol


NovaCana - 01 abr 2016 - 16:46

Com uma dívida que equivale a quase cinco vezes sua receita, a Odebrecht Agroindustrial está longe de viver seu melhor momento. Desde 2011 foram quatro prejuízos – três deles, consecutivos – em cinco safras. O único lucro registrado no período, em 2014, só aconteceu graças à venda de ativos dentro do próprio conglomerado.

O endividamento global da Odebrecht é muito grande — no fim de 2014 a dívida bruta chegava a R$ 90 bilhões —, e as usinas de etanol adicionam um problema gigantesco. Hoje a dívida total das usinas bate na porta dos R$ 13 bilhões, enquanto a receita da empresa alcança pouco mais de R$ 2,5 bilhões.

A companhia tenta renegociar dívidas e prazos para que o perfil de endividamento passe a ser mais longo, aliviando um pouco a necessidade imediata de geração de caixa. De acordo com a diretoria financeira do grupo, Marcela Drehmer Andrade, as negociações estão na fase final. A Virtus BR Partners está assessorando as negociações e os principais credores são Bradesco e BNDES.

Esse tipo de trabalho já vem sendo feito há algumas safras, mas não com a urgência e aperto do momento atual. Segundo os resultados financeiros da safra 2014/15, ao fim daquele período a dívida de curto prazo havia diminuído 41,8% devido a captações e renegociações para alongar os pagamentos. Na época a empresa apresentava 22,7% das dívidas alocadas no curto prazo.

O acordo atual que a empresa tenta emplacar prevê carência de três anos para o principal da dívida e outros dez anos de alongamento. No início deste ano a Odebrecht já havia anunciado a possibilidade de injetar R$ 2 bilhões nas usinas do grupo por meio de emissão de debêntures. Agora, está sendo reincorporada a geradora de energia por meio de bagaço de cana, avaliada com o mesmo valor.

A reportagem de novaCana entrou em conta com a empresa que respondeu preferir não se pronunciar sobre o assunto.

Dívida total

O último relatório financeiro do grupo como um todo com as informações de 2014 aponta uma dívida líquida de R$ 63 bilhões. Os números de 2015 – que serão divulgados ao fim do mês – devem ser ainda maiores devido ao impacto cambial. O total bruto chega a R$ 90 bilhões.

Em entrevista para a Folha de S. Paulo, o presidente da Odebrecht, Newton de Souza — que assumiu após a prisão de Marcelo Odebrecht durante a Lava Jato — disse que a empresa precisa aportar R$ 12 bilhões para “atravessar o furacão”. Ele atribui as dificuldades financeiras ao aperto monetário, contração do crédito e a operação Lava Jato.

Com 70 mil funcionários demitidos desde o início da operação a multinacional colocou à venda uma hidrelétrica e uma rodovia no Peru; a participação de 28% na hidrelétrica Santo Antônio, em Rondônia, e projetos de mineração e petróleo em Angola. A empresa também deve vender o controle da Odebrecht Ambiental, negócios da Odebrecht Transport e ativos da Odebrecht Realizações Imobiliárias. A meta é que as vendas sejam consolidadas até o fim deste ano.

Souza descartou os boatos sobre a venda da participação na Braskem. Segundo ele, a possibilidade está fora de cogitação por se tratar de uma empresa âncora do grupo. Hoje, a Odebrecht tem 50,1% do capital votante e 38,3% do total da petroquímica.

novaCana.com – com informações de Folha e Valor