Financeiro

Goiás discute inadimplência e linhas de crédito aos produtores de cana


Faeg - 23 set 2015 - 09:30

As linhas de crédito rural para os fornecedores de cana-de-açúcar e as dificuldades enfrentadas por eles em relação às instituições financeiras de crédito foram debatidos pela Comissão de Cana-de-Açúcar e Bioenergia da Federação da Agricultura e Pecuária de Goiás (Faeg), durante reunião na última semana. O evento também serviu como espaço de debate sobre a inadimplência das indústrias para com os produtores. Sobre o problema, o presidente da Comissão, Joaquim Sardinha, fez questão de ressaltar que o ideal é que se consiga “um processo político para brecar a inadimplência”.

Sobre o crédito de que os produtores tanto necessitam, Sardinha explica que o grande problema em relação à liberação é que, na atual conjuntura, o setor canavieiro não é muito bem visto pelas instituições financeiras, justamente por conta de problemas de quitação que afetam o Brasil. Para Joaquim, o grande problema é que as instituições tendem a generalizar a nível nacional a situação de uma determinada região, e no caso do centro-sul do país, onde encontra-se a produção goiana, não há praticamente problemas de quitação por parte dos fornecedores. “O que se pretende é mostrar para a superintendência das instituições financeiras, em especifico a do Banco do Brasil, que as regiões ou municípios canavieiros de Goiás não possuem esse problema”, acrescenta Joaquim Sardinha.

Inadimplência das indústrias

Visando mitigar problemas de inadimplência por parte das usinas goianas em relação aos fornecedores de cana-de-açúcar e arrendantes de terra em Goiás, a Comissão fez questão de destacar que a indústria é muita protegida pelo governo e que possui representes em todas as áreas. Já no caso específico do produtor rural, há uma discrepância enorme e ele acaba, em muitas das vezes, não tendo o mesmo volume de representação. “A partir de agora vamos buscar no meio político o auxílio para resolver a questão das inadimplências. Isso ocorre não somente no setor canavieiro, mas em todas as áreas do agronegócio, pois há um peso das indústrias sobre os que produzem”, esclarece Sardinha, dando exemplos de outras cadeias produtivas como frigoríficos e laticínios.

“Precisamos que o produtor esteja muito mais atento ao seu negócio e mais unido com os seguimentos nos quais ele está inserido para poder achar o caminho. Se não tivermos representantes, nunca iremos conseguir luz no meio. Nós podemos, sim, traçar estratégias e ter representantes no setor político. Porém, não só a título de verba ou para bancar o lado ‘A’ ou ‘B’, mas afim de legalizar aquilo que é direito do produtor”, finaliza Joaquim Sardinha.

“Em Goiás, 12% da área total colhida com cana-de-açúcar pertence aos produtores independentes e mais de 50% são áreas arrendadas pelas usinas, isso evidencia um volume muito considerável e que preocupa bastante quando se pensa em um colapso do setor, levando muita gente à grandes dificuldades” completou o assessor técnico da Faeg para a área de Cana-de-açúcar e Bioenergia, Alexandro Alves.

Etanol de milho

“Percebemos aí uma oportunidade interessante para os produtores rurais diversificarem a cultura na propriedade”, informou o assessor técnico da Faeg, Alexandro Alves, sobre as possibilidades do etanol de milho e do projeto de usina flex que está sendo desenvolvido pela SJC Bionergia, uma joint venture entre a americana Cargill e o grupo sucroalcooleiro Usina São João (USJ), em Quirinópolis. Com a criação da usina flex, que utiliza o milho e a cana-de-açúcar para a fabricação de biocombustível, o objetivo é incentivar a produção de grãos na região sul do estado.

Para a incrementação da produção de etanol e outros derivados do milho, a empresa pretende processar 1650 toneladas (t) de milho por dia, o que equivale a cerca de 250 hectares (ha), para processamento tanto na safra quanto na entressafra de cana. A estimativa da quantidade de milho necessária será da ordem de 650 mil toneladas/ano. Outro destaque para tal iniciativa refere-se ao fato de que será a primeira indústria do mundo a separar quatro produtos distintos do milho, sendo o amido-etanol, a fibra úmida, o óleo industrial e o DDG de milho (um concentrado proteico usado, muitas vezes, como alternativa economicamente viável à alimentação animal).

“A Faeg vê com bons olhos esse tipo de iniciativa, já que sempre temos orientado o produtor sobre a necessidade da máxima diversificação da produção dentro de sua propriedade. Isso é oque proporciona segurança econômica em caso de um dos produtos sofrer com questões relacionadas a preços baixos e aumento de custos, o que pode inviabilizar o negócio de alguma forma”, finaliza o assessor técnico da Faeg.

Cide

No caso das Contribuições de Intervenção no Domínio Econômico (Cide), o diretor técnico da Federação dos Plantadores de Cana do Brasil (Feplana) destaca a importância de recomposição da mesma aos patamares que foram feitos em anos anteriores, para que haja retorno da competitividade do etanol. “Praticamente os preços dos combustíveis estão estabilizados durante 7 anos, estão abaixo da inflação. Nesse período, o setor sucroenergético teve uma inflação 3 vezes superior ao que foi registrado em relação ao aumento do combustível, no caso a gasolina”, diz.

“Então, o que aconteceu nesse período foi a perda da competitividade. Hoje, os produtores de etanol estão vendendo com margens negativas, e isso impacta nos preços dos produtores de cana que recebem atualmente pelo álcool e o açúcar. Essa recomposição do etanol é importantíssima e é essencial que tenha um efeito em cadeia e reverta a situação em preços para a tonelada de cana ao fornecedor”, explica José Ricardo.

Embrapa Agroenergia

Além das discussões em torno de questões mais econômica, a reunião serviu de espaço para acentuação de questões relativas à pesquisa. O diretor técnico da Feplana, José Ricardo Severo, comentou sobre a visita da Embrapa Bioenergia a Goiás. Segundo ele, o evento será um dia de campo inverso, onde ao invés de os pesquisadores mostrarem suas criações, serão os produtores que irão demonstrar suas atividades e o que desenvolvem em termos tecnologias, além de esclarecer o que ele necessita, dentro da sua atividade, da pesquisa.

Demais especificações, como local de realização do encontro, serão discutidos em eventos ou reuniões próximas. “Isso será uma forma de aproximar mais a pesquisa da necessidade e, até mesmo, com a melhoria que os produtores tem feito em campo. As soluções dos produtores serão mostradas para os pesquisadores e eles, por sua vez, poderão atuar sob essa perspectiva da pesquisa”, explica José Ricardo.

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