Financeiro

Fitch: Em 2015 risco de inadimplência permanecerá elevado para empresas de açúcar e etanol


O Globo - 12 nov 2014 - 09:34 - Última atualização em: 29 nov -1 - 20:53

A qualidade do crédito corporativo na América Latina vem caindo nos últimos dois anos, e uma reversão da tendência não está no horizonte de 2015, conforme Joe Bormann, diretor-gerente da agência de rating Fitch, que emitiu comunicado nesta terça-feira. “O fluxo de caixa deve permanecer pressionado devido à fraca demanda doméstica e a queda no preço das commodities. Haverá muito mais downgrades que upgrades”, afirmou Bormann.

Com relação ao Brasil, a nota da agência de crédito destaca o cenário difícil. “Pode haver duas vezes mais downgrades que upgrades. O risco de default permanecerá alto para empresas no setor de açúçar e cana. Sem perspectivas de retomada significativa da confiança de consumidores e empresários, a demanda doméstica deve continua fraca. A inflação deve permanecer alta no Brasil em 2015.”

A Fitch também afirmou que o risco de racionamento de energia pode acelerar ações de rating negativas. Também apontou o recuo de investimentos em capital fixo e o controle de custos como possíveis medidas das empresas diante da falta de crescimento das receitas.

O cenário sombrio não se limita ao Brasil, contudo. Chile e Peru também deverão ter mais rebaixamentos que altas de notas de crédito. No Chile, além da demanda doméstica contida e das condições macroeconômicas áridas, os custos de energia são elevados e não vão cair no curto prazo. Alterações nos tributos devem incrementar a pressão sobre o fluxo de caixa das companhias. No Peru, as corporações continuarão se ajustando ao crescimento mais fraco que o projetado.

SITUAÇÃO DIFERENTE NO MÉXICO

Na contramão, o México deverá ter mais upgrades que downgrades, com a melhora das condições macroeconômicas. “A maioria das empresas mexicanas têm posições de liquidez adequadas para encarar as amortizações de débito.”

Já para a Colômbia, a perspectiva de curto prazo é estável, apontou a agência, destancando que a liquidez é forte no país e o cenário de crédito, benigno, em virtude dos fundamentos da economia. Além do mais, a confiança de consumidores e empresários aumentou um pouco em relação ao ano passado. No país, o desemprego, que ronda a casa de 10%, tem tendência de baixa.

Para a Argentina, onde o risco de inadimplência por empresas é alto, as projeções são negativas. “O risco de companhias serem proibidas de tranferir dólares para o exterior ou converter pesos em dólares americanos ou euros para pagamento de juros de dívidas continua alto, com os controles de capitais avançando.”