Financeiro

Custo da cana processada cai 2,3%


Valor Econômico - 19 dez 2012 - 09:12 - Última atualização em: 29 nov -1 - 20:53

Os custos de produção da cana-de-açúcar processada no Centro-Sul (CS) caíram na safra 2012/13, segundo levantamento feito pelo Programa de Educação Continuada em Economia e Gestão de Empresas (Pecege), vinculado à Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq).

Nesse 1º levantamento, que ainda pode ser revisado, foi verificada queda de 2,3% no custo de produção por tonelada de cana processada nas usinas localizadas em regiões tradicionais do Centro-Sul, como Ribeirão Preto e Jaú. Em números absolutos, o custo saiu de R$ 114,54 por tonelada em 2011/12 para R$ 112,97 em 2012/13.

Nas regiões de expansão, como os Estados de Goiás e Mato Grosso do Sul, o custo por tonelada processada caiu apenas 0,6%, de R$ 109,36 em 2011/12 para R$ 108,70 em 2012/13. "O recuo foi mais tímido porque nessas regiões a participação da cana de fornecedores na moagem da usina é menor, portanto, a queda dos preços de açúcar e etanol influenciou pouco no valor que a indústria pagou pela cana", explica o gestor de projetos do Pecege, Carlos Xavier.

Ele afirma que essa é a primeira retração de custos de produção no Centro-Sul desde que o levantamento começou a ser feito pelo Pecege, em 2007/08. Há duas razões principais para o ocorrido, afirma o pesquisador. A primeira é que houve aumento da produtividade agroindustrial, medida com base no indicador toneladas de cana colhidas por hectare e pela quantidade de Açúcar Total Recuperável (ATR) por tonelada de cana.

O levantamento, feito com apoio da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), mostrou que a produtividade agroindustrial subiu 4,9% nas regiões tradicionais e 4,3% nas áreas de expansão. A segunda razão para os custos menores, explica Xavier, está no recuo dos preços do açúcar e do etanol, que funcionam como indexador para o pagamento de cana-de-açúcar de fornecedores e de outras despesas, como os de arrendamento de terras.

O levantamento constatou ainda que, na média, nas últimas seis safras o açúcar bruto teve rentabilidade de 2% por safra. Já o etanol hidratado trouxe à usina uma perda média de 7% por temporada.

Fabiana Batista