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Com dívidas concentradas no curto prazo, S&P coloca ratings da Caeté em observação negativa

Agência vê possibilidade de a sucroalcooleira descumprir uma cláusula contratual restritiva


novaCana.com - 04 mar 2015 - 10:59

A agência de classificação de riscos Standard & Poor's (S&P) colocou o rating 'B+' da Usina Caeté, do grupo alagoano Carlos Lyra, em observação negativa ante a possibilidade de a sucroalcooleira descumprir uma cláusula contratual restritiva, covenant, para o indicador dívida líquida/Ebtida.

O índice serve para medir a capacidade da companhia de pagar sua dívida com geração de caixa operacional. O descumprimento do limite acordado, levaria credores a exigir o pagamento antecipado de R$ 185 milhões em debêntures.

A ação vale para todos as notas de crédito ‘B+’ da Caeté na escala global e ‘brBBB-’ na escala nacional.

“A colocação em CreditWatch [observação] reflete a possibilidade de os credores da Caeté não lhe concederem um waiver (perdão), resultando em aceleração de pagamentos de dívida em uma parte da dívida da empresa, o que aumentaria as pressões de liquidez”, disse a agência em relatório divulgado nesta terça-feira (2).

Segundo a S&P, o descumprimento da cláusula contratual restritiva e o consequente pagamento antecipado de R$ 185 milhões em debêntures “prejudicaria severamente a liquidez da empresa e tornaria mais difícil obter novos refinanciamentos”.

“A dívida da Caeté é altamente concentrada no curto prazo, embora esta consista principalmente de transações de financiamento à exportação, as quais são liquidadas assim que as exportações são concluídas. No entanto, acreditamos que há incentivos econômicos para os três bancos (credores da Caeté) concederem um waiver, como já fizeram no passado”, considerou.

Por outro lado, os riscos de a usina não obter um “perdão” aumentam uma vez que o crédito para o setor está cada vez “mais caro e escasso” em função de calotes recentes e das perspectivas ainda negativas para a indústria.

Segundo a S&P, antes mesmo da observação negativa, os ratings da Caeté já refletiam “a alta concentração de dívida de curto prazo da empresa e a sua exposição ao refinanciamento de linhas de capital de giro em face dos baixos preços do açúcar no mercado global e da alta inflação, enfraquecendo sua rentabilidade e geração de fluxo de caixa”.

Um novo rebaixamento poderá ocorrer caso a usina do grupo Carlos Lyra não consiga melhorar, de forma gradual, o perfil de sua dívida e o fluxo de caixa operacional. “Um rebaixamento poderá ocorrer se acreditarmos que a liquidez da Caeté estará consistentemente pressionada”, alertou a S&P.

Mesmo que consiga o perdão dos credores, a perspectiva negativa seria mantida.

“Essa perspectiva ainda refletiria os fracos fundamentos para a indústria brasileira de cana-de-açúcar. Se a Caeté tiver que amortizar suas debêntures sem novos refinanciamentos, provavelmente revisaríamos nossa avaliação de sua liquidez de ‘menos que adequada para ‘fraca’, resultando em um rebaixamento de múltiplos degraus dos ratings”, concluiu a S&P.

Leonardo Siqueira – novaCana.com

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