Financeiro

Coaf Cruangi distribui receita de R$ 733 mil obtida com CBios entre produtores de cana


Money Times - 12 mar 2021 - 07:44

Os primeiros canavieiros a receberem direitos sobre créditos de descarbonização (CBios) do programa RenovaBio serão 450 fornecedores da Coaf, cooperativa que controla a usina Cruangi, na Zona da Mata Norte de Pernambuco.

O valor a ser rateado entre os produtores soma R$ 733 mil, de acordo com a companhia. A distribuição começa no mês que vem.

Em 2020, a Coaf Cruangi emitiu 4.335 CBios, relativos a 6,2 milhões de litros. Deste total de títulos, 60% foram efetivamente comercializados; é a partir desse valor que se extrai a cota a ser dividida aos cooperados. O valor será proporcional ao volume de cana entregado, desde que dentro dos requisitos pelo RenovaBio. Outros produtores também terão direito à partilha, mas apenas após os demais.

Para o presidente da Coaf, Alexandre Lima, a unidade “não está fazendo nada mais que a sua obrigação”. “Os CBios só puderam ser emitidos por conta da matéria-prima fornecida pelo agricultor, que é o responsável pela absorção de CO2 da atmosfera por meio do processo de fotossíntese dos canaviais”, afirma.

Em Pernambuco, das 13 usinas em operação, 12 produziram etanol, mas somente 10 puderam emitir CBios após terem certificação aprovada pela Agência Nacional do Petróleo (ANP).

Além da Coaf Cruangi, outra usina pernambucana anunciou a intenção de compartilhar os ganhos com seus fornecedores. Em outros estados não há relatos de ações semelhantes.

A Associação dos Fornecedores de Cana de Pernambuco (AFCP), também presidida por Alexandre Lima, notificou as entidades industriais do estado sobre a necessidade de pagamento aos fornecedores. De acordo com ele, do contrário, elas não poderão usar os dados do cadastro ambiental dos canavieiros.

A mesma questão está sendo debatida no Congresso, onde um projeto em tramitação pede a revisão da legislação do RenovaBio, de modo a garantir o rateio de parte dos lucros com CBios entre os produtores de cana.

“Milhares de produtores vão ser prejudicados no Brasil inteiro”, afirma Lima, referindo-se à manutenção da atual redação da Lei do RenovaBio.

Giovanni Lorenzon