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Financeiro

[Atualizada] Resultado da Clealco piora e prejuízo aumenta 116%. Seca e moeda fraca são explicações


NovaCana - 17 jul 2015 - 12:27 - Última atualização em: 23 jul 2015 - 09:56

Afetada pela queda do real ante a moeda norte-americana, a sucroalcooleira Clealco divulgou nesta quinta-feira (16) o resultado do exercício encerrado no dia 31 de março, referente à safra 2014/15. A empresa, que é dona de três usinas no estado de São Paulo, teve prejuízo de R$ 198 milhões – ou 116% acima do resultado já ruim da safra passada, na qual perdeu R$ 91,7 milhões.

clealco prejuizo

Um dos indicadores que apresentou mais avanço negativamente foi o endividamento de curto prazo, que inclui empréstimos e financiamentos que vencem em até 12 meses, justamente por terem mais vulnerabilidade às variações cambiais.

Entre os ciclos de safra 2013/14 e 2014/15, o real caiu cerca de 40% na comparação com o dólar. Assim, a empresa registrou R$ 179 milhões em perdas com a variação cambial e R$ 73 milhões em operações com derivativos atrelados ao dólar.

Isso fez com que as dívidas de curto prazo atingissem R$ 516,6 milhões (metade já foi renegociada após o fechamento do balanço), valor correspondente a mais do que o dobro dos R$ 235 milhões reportados em 2013/14.

Incluindo empréstimos e financimentos de longo prazo, o endividamento total da companhia cresceu 34% em relação à safra 2013/2014, passando de R$ 849,5 milhões em março de 2014 para R$ 1,13 bilhão em março de 2015.

clealco dívida-2

Em seu balanço, a empresa explicou que essa elevação deveu-se, em parte, à “captação de recursos para capital de giro, no montante de R$ 107 milhões e R$ 179 milhões de atualização de variação cambial passiva”.

Momento difícil

“A administração considera a atual situação como um cenário de atenção, sendo necessária a busca de novos recursos para o alongamento da dívida bancária, equacionando a liquidez corrente”, disse a Clealco no balanço.

De acordo com a empresa, a recuperação se dará com um plano estruturado para a amortização de endividamento, redução da exposição ao risco financeiro e movimento estratégico focado na recuperação da liquidez.

Detalhado no balanço, o plano inclui suspensão de investimentos e cortes orçamentários que não impactem a produção e a condução dos negócios; repactuação de compromissos financeiros de curto prazo, promovendo o alongamento da dívida bancária; e busca de cana-de-açúcar para atingir uma meta de processamento de 10,7 milhões de tonelada de cana na safra 2015/2016.

Mudança de cadeiras

Preocupada com resultados negativos nos últimos três ciclos, a Clealco recrutou em maio Gabriel Carvalho, que estava na Bunge, para o cargo de diretor comercial e de negócios. O executivo Fábio Cordeiro, que atuava como diretor financeiro da companhia, foi desligado no mesmo mês.

Ao lado de Carvalho, Cássio Manin está atuando como diretor agrícola.

Carvalho foi um dos responsáveis pela reestruturação da dívida de curto prazo realizada no final do mês passado. Com a operação, a companhia alongou por cinco anos financimentos no valor de R$ 250 milhões.

Mau tempo

Além do peso cambial nas contas, a Clealco atribuiu o desempenho aos efeitos climáticos negativos sobre a produção de cana-de-açúcar. A previsão de moagem era de 10,5 milhões de toneladas de cana-de-açúcar, meta que não foi atingida.

Apesar de ter ficado abaixo do esperado e recorrido a compras no mercado spot de cana para suprir sua demanda, o grupo conseguiu moer 12% mais do que anteriormente, totalizando 9,2 milhões de toneladas.

“A produção da safra 14/15 sofreu negativamente os efeitos climáticos que provocaram a forte seca, afetando o canavial e consequentemente a produtividade por hectare”, disse a empresa.

Receita

O faturamento da companhia aumentou 18%, passando para R$ 933 milhões ante os R$ 788 milhões da safra anterior. Por outro lado, os custos com as vendas subiram 30%, de R$ 580 milhões para R$ 760 milhões na mesma comparação.

clealco receita

O grupo registrou crescimento na produções de açúcar VHP (Very High Polarization), com 626,7 mil toneladas, 6,5% a mais que na safra 2013/14, e também na fabricação de etanol hidratado, que cresceu 10,3%. A empresa realizou sua primeira produção de etanol anidro, com um volume de 39,8 milhões de litros.

Por mais um ano, a empresa registrou lucro operacional de R$ 50,2 milhões.

Atualização 21/07, às 11h15 - Diferentemente do que havia sido informado, o executivo Fábio Cordeiro, em lugar de Fabiano, deixou o cargo de CFO da Clealco em maio, não atuando mais na empresa desde então. A informação foi modificada no texto.  

Felipe Vanini Bruning – novaCana.com


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